Seattle, nos EUA, testa qualidade da iluminação pública

Cidade americana faz enquete com moradores para decidir se deve adotar uso de lâmpadas de LED para economizar dinheiro e energia

The New York Times |

A cidade de Seattle vê a si mesma como a vanguarda dos Estados Unidos. Seus jatos, cafés, computadores, ativismo ambiental e filantropia foram todos celebrados por ter reinventado costumes ao redor do mundo. Agora, Seattle quer mudar não apenas o mundo, mas, também, suas lâmpadas.

"Quero ver como será o futuro e poder dizer como ele será", disse Steven Thompson, que carregava um questionário e uma dose de curiosidade ao observar o céu, que normalmente estaria cheio de aviões, mas que naquele momento se encontrava em silêncio na vizinhança de Ballard.

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Rua iluminada com algumas lâmpadas de LED em Seattle, nos EUA (08/03)

Alistados por um consórcio de empresas de energia, consultores, o Departamento de Energia dos Estados Unidos, o Departamento de Transporte de Seattle e a Seattle City Light, Thompson e cerca de 300 outras pessoas receberam US$ 40 cada para passar a noite num debate cívico que vem se alastrando pela cidade já faz um tempo: Que tipo de luz que você prefere? Velha e amarelada? Ou branca, nova e fria?

Neste caso, eles estavam lá para julgar a luz de postes de LED estrategicamente colocados entre lâmpadas mais antigas de alta pressão.

Diferentemente de desentendimentos domésticos sobre o brilho da lâmpada de um abajur no criado mudo do quarto, a pesquisa realizada por Thompson e outros moradores da cidade leva em consideração a segurança pública - os entrevistados são convidados a concordar ou discordar com declarações do tipo "Será que seria seguro andar por esta região, sozinho, durante a noite?", "Não consigo diferenciar cores por causa da iluminação" e "A iluminação permite que as pessoas possam dirigir de maneira segura”. Suas respostas podem afetar como as cidades serão iluminadas daqui pra frente.

As empresas querem saber se os postes de LED, milhares dos quais já foram instalados em muitas cidades, incluindo Seattle e Los Angeles, são uma tecnologia promissora a longo prazo e que poderiam moldar grandes contratos governamentais. Municípios querem ter certeza de que a economia será significativa em relação a custos de energia e se os LEDs podem ser sustentáveis o suficiente para compensar os custos iniciais, mas também querem saber se não apresentam uma ameaça à segurança pública ou ao ambiente urbano.

Seattle é a quarta cidade a participar da pesquisa, depois de Anchorage, San Diego e San José, mas é difícil imaginar as demais tão entusiasmadas.

"A grande diferença é que estamos lidando não apenas com a eficiência da mudança tecnológica, mas também com a qualidade da luz", disse Scott Thomsen, porta-voz da Seattle City Light, que afirma ser a primeira empresa de fornecimento de energia do país neutra em carbono, principalmente porque a maioria de sua energia vem de hidrelétricas.

Um trecho de 15 quarteirões da Avenida 15 foi fechado ao tráfego para que um carro de teste pudesse percorrer o trajeto várias vezes transportando passageiros, que tinham que apertar botões sempre que avistassem certos marcadores colocados na rua. Os passageiros, assim como os inspetores, estavam medindo a visibilidade em diferentes variedades de iluminação. Ao longo da noite, as luzes foram diminuídas para testar o quão fracas poderiam ficar de modo que ainda oferecessem segurança para quem estivesse na rua.

Em uma área, os postes com lâmpadas LEDs foram ligeiramente inclinados para que pudessem iluminar à frente dos motoristas, ao invés de serem posicionados diretamente para baixo. Esse foi um teste destinado a abordar a preocupação de que os LEDs não iluminam corretamente em situações mais úmidas. Era esperado que Seattle fosse um local perfeito para testar esta solução, mas nesta noite especialmente a neblina marítima que normalmente toma conta da cidade abriu espaço para um céu lindo e uma lua cheia brilhante.

"Fizemos todos os tipos de planos de contingência para lidarmos com exatamente o oposto destas condições", disse Todd Givler, um dos principais consultores do teste.

O tempo seco fez com que os organizadores da pesquisa tivessem que molhar a rua com caminhões-tanque que a cidade normalmente utiliza para lavar as ruas do centro. Na noite de quinta-feira, a avenida ficou vazia sob a luz de uma lua brilhante, com diferentes tons de iluminação pública e ocasionalmente das luzes de neon das boates Love Zone, Sands Showgirls e do T-Bird Tavern.

Em um determinado momento um jovem saiu na sacada de seu apartamento com vista para a avenida que se encontrava estranhamente silenciosa. Ele levantou uma cerveja para a brigada de luz abaixo e gritou, "Em uma escala de 1 a 10, vocês conseguem me ver?"

"Sim", todos responderam.

Por William Yardley

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