São Francisco, nos EUA, pode ter primeiro prefeito sino-americano

Atualmente no cargo em caráter interino, Edwin M. Lee é favorito nas eleições que acontecem nesta terça-feira

The New York Times |

São Francisco, a cidade com o bairro chinês (ou Chinatown) mais antigo dos Estados Unidos deve eleger um prefeito sino-americano pela primeira vez na terça-feira.

"Os sino-americanos sentem que estão fazendo história", disse David E. Lee, diretor-executivo do Comitê Sino-americano para Educação ao Voto. "Eles sentem que estão na iminência de alcançar o Santo Graal da política de São Francisco elegendo um representante para o gabinete do prefeito."

Edwin M. Lee, que foi nomeado para o cargo de forma interina no ano passado depois que o prefeito Gavin Newsom foi eleito vice-governador, é considerado um forte favorito, apesar de seu apoio ter diminuído nos últimos dias conforme seus adversários se aproveitaram de relatos de irregularidades em sua campanha.

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Ed Lee, que concorre à prefeitura de São Francisco, nos EUA (03/11)

Atraídos pela natureza histórica do voto, porém, a etnia chinesa da cidade, que compõem um quarto da população e 16% dos eleitores registrados, deverão comparecer às urnas em peso, disse David Lee.

Ed Lee, um homem baixo e de bigode, passou anos na direção de agências da cidade até se tornar prefeito interino. A cidade de 800 mil habitantes enfrentou um grande déficit e disputas intensas entre o prefeito e o Conselho de Supervisores e estava pronta para um tecnocrata. Durante o último ano, segundo admiradores de Lee, ele cortou gastos e reformou as pensões, e tem feito um bom trabalho na promoção do desenvolvimento.

Embora tenha assumido a posição provisória com um compromisso firme de não concorrer nesta eleição, aliados poderosos formaram um comitê para que ele entrasse na disputa, em agosto. Ele tem o apoio de pesos pesados como o ex-prefeito Willie Brown e líderes influentes da comunidade sino-americana – e, para desgosto dos outros candidatos, aprendeu a fazer campanha.

Em uma cidade onde as opiniões políticas tendem a variar de liberal a muito liberal, sua campanha consistiu menos de debates ideológicos do que de apelos e ataques pessoais. Lee, 59, ressalta a sua competência com cartazes declarando: "Ed Lee Faz".

A participação de Lee na disputa puxou o tapete de outros que tinham um apelo centrista semelhante, como Dennis Herrera, o promotor da cidade, Leland Yee, senador estadual que tem o apoio do sindicato dos trabalhadores, e Chiu David, que é presidente do Conselho de Supervisores e prometeu "agitar as coisas na prefeitura."

Seus oponentes dizem que Lee está próximo de um grupo político que governa a cidade em seu próprio benefício. "Ed Lee está muito envolvido com os poderosos", disse Yee em uma entrevista. "Ele está se escondendo atrás de lobistas e consultores não registrados."

Yee, Herrera e outros críticos mencionam particularmente laços estreitos entre Lee e Brown, que é advogado e consultor para construtoras locais, e Rose Pak, um poderoso consultor de negócios e arrecadador de fundos políticos de Chinatown.

Lee diz que suas realizações falam por si mesmas.

O retrato de Lee como parte de uma máquina da velha-guarda ganhou força nas últimas semanas.

Jornais afirmaram que grupos independentes estavam ajudando eleitores sino-americanos a preencher cédulas para Lee e coletá-las, e que um gerente de empresa havia prometido devolver dinheiro aos trabalhadores que doassem US$ 500 cada para a campanha de Lee. Ele disse não ter nenhuma ligação com esses grupos.

Fazer qualquer previsão é complicada pelo sistema de voto da cidade, em que os eleitores determinam seus preferidos para viver em primeiro, segundo e terceiro lugar. Se nenhum candidato receber mais de 50% dos votos, aquele com o menor número de votos é descartado e as segundas escolhas dos que tinham escolhido aquele candidato são redistribuídas. O processo se repete até que alguém tenha uma maioria.

O sistema pode render surpresas: em Oakland, que usa a mesma abordagem, o candidato com mais votos na primeira rodada, após oito dias de contagem e de incerteza, perdeu para Jean Quan, um candidato que havia recebido mais votos em segundo e terceiro lugar.

Por Erick Eckholm

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