Saddam Hussein temia o Irã mais do que os EUA, diz relatório

WASHINGTON - Em uma série de interrogatórios antes de sua execução, Saddam Hussein disse a um agente do FBI que, às vésperas da invasão americana de 2003, o Iraque estava preso entre as ordens da ONU de demonstrar que havia se desarmado e o medo de que parecer fraco iria encorajar um ataque de seu inimigo e vizinho, o Irã.

The New York Times |

AP
Foto de 14 de dezembro de 2003, mostra
ex-presidente após ser capturado em Tikrit
O ex-ditador iraquiano "parecia mais preocupado com o fato de o Irã descobrir suas fraquezas e vulnerabilidades do que com a repercussão nos Estados Unidos de sua recusa em permitir que inspetores da ONU entrassem no Iraque", de acordo com um relatório do procedimento feito pelo FBI. Ele temia que os inspetores, "teriam mostrado imediatamente aos iranianos onde infligir maiores danos ao Iraque", disse ele ao FBI.

Saddam disse ao FBI que se as sanções da ONU contra seu país fossem removidas, o Iraque teria buscado um acordo com os Estados Unidos para ser protegido contra o Irã.

O resumo de 20 interrogatórios formais e cinco "conversas casuais", como são rotuladas por seus detentores, aconteceram entre fevereiro e junho de 2004. Elas foram obtidas através do Ato de Liberdade de Informação pelo Arquivo de Segurança Nacional, um grupo de pesquisa particular da Universidade George Washington. Eles foram publicados na noite de segunda-feira no site do grupo.

Saddam, identificado como "Prisioneiro de Alto Valor Número 1" nos relatórios, foi encontrado por soldados americanos em um abrigo subterrâneo em dezembro de 2003, após uma ampla busca. Ele foi interrogado primeiro por uma equipe da CIA, de acordo com Charles A. Duelfer, veterano da agência de inteligência que liderou a procura por armas não convencionais no Iraque, em 2004.

"Nós não entendíamos o tamanho da ameaça que o Irã representava na sua cabeça", disse Duelfer, qualificando a compreensão americana do Iraque, em 2003, de "caricata".

Em entrevistas, Saddam descreveu Osama Bin Laden como um "fanático" e negou que o Iraque tivesse qualquer elo com a Al-Qaeda. Tanto esta afirmação quanto a declaração de que o Iraque não possuía armas de destruição em massa foram mais tarde confirmadas por agências de inteligência americanas.

"As entrevistas mostram que os Estados Unidos tinham muitas opções diplomáticas antes da guerra", disse Thomas S. Blanton, diretor do Arquivo Nacional de Segurança.


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