Rússia toma medidas para readquirir empresas privatizadas

BEREZNIKI - No final de outubro, um dos principais tenentes de Vladimir V. Putin subitamente convocou um milionário da oligarquia petrolífera do país para uma reunião particular. Igor I. Sechin repentinamente voltou a se interessar por um acidente que atingiu as lucrativas operações de extração no coração industrial da Rússia há dois anos.

The New York Times |

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Sechin, vice-primeiro-ministro e líder de uma sombria facção do Kremlin ligada aos serviços secretos do Estado, disse que voltaria a investigar a questão e ameaçou impor multas altíssimas à companhia.

Alarmado, o oligarca Dmitri E. Rybolovlev disse que o governo já havia examinado o incidente a fundo e livrado a companhia de qualquer responsabilidade. Ele disse que pagaria por alguns danos estruturais causados pelo acidente, a queda de uma mina que não feriu ninguém mas deixou um buraco na rede.

Sua oferta foi recusada e o motivo parece claro: o Kremlin se preparava para retomar a Uralkali.

Putin, ex-presidente e atual primeiro-ministro russo, há muito mantém que a Rússia cometeu um enorme erro nos anos 1990 ao permitir que suas enormes reservas de petróleo, gás e outros recursos naturais fossem privatizados. Ele agiu de forma intransigente (principalmente nos ataques de 2003 a Yukos Oil Co.) para recuperá-las.

Sechin, 48, cuidou do caso Yukos e serve como presidente da Rosneft, a companhia petrolífera estatal que assumiu grande parte dela. Ele não quis comentar a investigação.

Rybolovlev, 42, e outros executivos da Uralkali também se recusaram a dar entrevistas.

As ações da Uralkali caíram mais de 60% desde o início do inquérito, muito mais do que o mercado de ações russo como um todo. A companhia supostamente quer negociar o caso por alguns milhões de dólares e, segundo os analistas, Sechin pode retroceder depois da reação hostil do mercado à investigação.

Aqui em Berezniki, 1.207 km ao noroeste de Moscou, nas montanhas Ural, o novo objetivo da investigação é analisar o próprio acidente e decidir se a companhia cometeu algum erro, o que pode resultar em multas.

As pessoas da região parecem confusas sobre como os investigadores farão isso. Parte da mina que ruiu está cheia d'água, impedindo que qualquer um se aproxime.

Por CLIFFORD J. LEVY

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