Robinho volta para casa

A volta de Robson de Souza, universalmente conhecido como Robinho, e de Roberto Carlos não significa o fim do êxodo de tantos jogadores brasileiros - quase 900 por ano - que partem para fazer fortunas na Europa, contudo são retornos significativos. Os fãs brasileiros merecem ver seus melhores artistas em campo, ainda que essas oportunidades sejam passageiras.

The New York Times |

Robinho fugiu do severo inverno da Inglaterra, e de suas táticas ainda mais severas - mesmo que apenas até a Copa do Mundo em junho - e marcou um incrível gol em sua estreia no Santos, no domingo.

Roberto Carlos, de volta ao Brasil depois de uma década gloriosa no Real Madrid e Fenerbache, em Istambul, admitiu que foi pego de surpresa pela velocidade do futebol brasileiro. Ele foi tirado da primeira partida pelo Corinthians, mas jogou de maneira inspirada em seu segundo jogo no sábado.

"Eu ainda tenho que me ajustar a este novo tipo de futebol", ele disse. "Mas eu posso melhorar jogo após jogo. A liga brasileira é uma das mais rápidas do mundo".

Mais rápida que a da Europa?

Há tipos diferentes de rapidez, diferentes ênfases de como usar a precisão dos pés de um jogador e sua mente. E este debate é mais acirrado na Inglaterra.

O "fracasso" de Robinho em convencer inúmeros técnicos de que merecia espaço foi o que o afastou do Manchester City. Ele custou ao clube uma taxa de transferência de US$ 52 milhões; ele recebe um salário de US$ 250 mil; mas alguns o veem como jogador exótico demais, muito frágil para a implacável liga inglesa.

Essa é uma história antiga com um novo nome. "Inglesidade' é um conceito antiquado do que funciona no quesito futebol global e os dias em que Charles Hughes, diretor da Associação Inglesa de Futebol, podia andar por aí dizendo ao mundo que seu estilo de jogo era errado quando comparado com os ataques que ele armava acabaram.

Emprestada de uma antiga teoria de um comandante da Força Aérea de que o melhor caminho ao gol é através "da posição de oportunidades maximizadas", Hughes dizia que o Brasil adota o método errado. Todos aqueles passes curtos, aqueles dribles indulgentes, aquelas carícias  amorosas na bola são perda de tempo, ele insinuava.

Aposentado há muito tempo, sem que sua falta seja sentida, Hughes nunca percebeu como simples aritmética contesta sua teoria. A Inglaterra ganhou a Copa do mundo uma vez, em casa, em 1966. O Brasil ganhou o campeonato cinco vezes, sempre no exterior e frequentemente de forma tão memorável que todo o mundo aplaudiu.

Robinho é um um ator desse jogo. Leitores mais velhos podem se lembrar de Garrincha, que duas vezes ganhou a Copa do Mundo, em 1958 e 1962, mas infelizmente deixou a bebida e a depressão levarem a melhor.

Gerações sucessivas viram brasileiros em todo os climas, da Escandinávia à Sibéria, e todas as culturas, do Japão a Jerusalém. Mas a Inglaterra, cujos marinheiros apresentaram a bola ao Brasil, mantém suas dúvidas.

Robinho não se deu bem na Inglaterra. Lá ele é visto como um pássaro que poderia planar na primeira estação quando o sol começasse a brilhar, mas os técnicos do Manchester City o usaram meio período.

Mark Hughes, seu primeiro técnico, era galês. Roberto Mancini, que substituiu Hughes, italiano. A solução deles para o problema era selecionar Robinho para partidas em Manchester mas deixá-lo no banco para jogos fora.

Tudo isso por causa da convicção de que se ataca em casa, se defende fora - e essa defesa tem que vir de todos os membros do time, criativos ou não.

Robinho encontrou esta filosofia pela primeira vez fora da Inglaterra, em Madrid, sob o treinamento de Fabio Capello, atual técnico da seleção da Inglaterra. Capello conseguia apreciar habilidade mas queria vê-la em conjunto com trabalho duro. Ele descartou Robinho, que no final das contas conquistou seu lugar a tempo de ajudar o Real Madrid a ganhar La Liga.

Embora Robinho tenha começado brilhantemente no Manchester City, ele nunca convenceu os técnicos, que vivem de resultados, a confiar nele.

Isso é intrigante porque o futebol inglês agora está longe de ser nativo. Dois terços dos cerca de 300 jogadores de sua Premier League são estrangeiros. É uma mistura de nacionalidades.

O legado de desconfiança que começou quando Mirandinha chegou a Newcastle ainda prevalece. Mirandinha adorava marcar gols mas não gostava muito do gelo e das infrações que recebia. Porém, não muito longe de Newcastle, um brasileiro menor, mais leve, Juninho, conquistou seu luagr entre os jogadores mais amados a usar a camisa do Middlesbrough. Os fãs viram a forma como ele lidou com a perna quebrada e sua coragem em reconquistar seu lugar como puro amor pelo jogo.

Quando a Copa do Mundo terminar, Robinho terá que fazer uma escolha permanente. Voltar a Manchester, que ainda possui seu passe, ou encontrar um financiador que possa mantê-lo feliz...em casa.

- Rob Hughes

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