Robert Gates e o orçamento do Pentágono

Secretário de Defesa dos Estados Unidos quer rever gastos do país no setor

The New York Times |

O orçamento do Pentágono tem sido alimentado de maneira indiscriminada desde os ataques de 11 de setembro de 2001. Quase tudo que os líderes militares e lobistas do setor de segurança pediram, o Congresso aprovou - não importando se as armas ou programas excediam o orçamento, tinham um desempenho insatisfatório ou já não eram necessárias em um mundo pós-Guerra Fria.

O gasto anual com a defesa quase duplicou nos últimos dez anos chegando a US$ 549 bilhões. Isso não inclui o custo das guerras no Iraque e Afeganistão, que neste ano acrescentarão US$ 159 bilhões a este total.

Agora, o secretário de Defesa Robert Gates promete mudar isso. Em dois discursos recentes, ele declarou que o país não pode continuar gastando neste ritmo e que o orçamento desenfreado da defesa foi moderado "e vai continuar assim por um bom período de tempo". Ele prometeu que, de agora em diante, todos os programas em curso e futuros gastos passarão por escrutínio sem misericórdia.

Gates não propôs diminuir seu orçamento. Mas ele fala em manter o crescimento real em 2 a 3% após a inflação, ao invés dos 4% ao ano de 2000 a 2009. Dada a atual situação financeira do país, ainda será muito.

O governo Obama já cortou alguns grandes projetos e armas anacrônicas (se posicionou contra lobistas e comitês congressistas para acabar com o jato F-22). Houve mais investimento em armas necessárias, principalmente aviões não tripulados. O relatório de Revisão Quadrimestral da Defesa mencionou a necessidade de "trocas futuras", apesar de ter fracassado em começar a fazer as escolhas difíceis.

Gates disse que deseja ajustar a inflada burocracia civil e militar (incluindo o excesso de almirantes e generais) para uma modesta economia de algo entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões anualmente. Ele quer mais cortes nos gastos com armas e merece crédito por indicar sistemas específicos.

Por que a Marinha deveria ter 11 tipos de aviões de transporte (a US$11 bilhões a série) nos próximos 30 anos quando nenhum outro país tem mais de um, perguntou ele à Liga da Marinha de Maryland. Ele também questionou a necessidade do Veículo Expedicionário de Combate (vulnerável aos avanços em sistema antinavio) e dos mísseis balístico de US$ 7 bilhões.

Acreditamos que Gates tenha recebido telefonemas irritados do Capitólio e da Rua K desde então. Mas também é preciso dizer que Gates não garantiu que irá acabar com estes sistemas - ou que mudanças serão realmente implementadas.

Talvez a questão política mais volátil seja a assistência médica militar, cujo custo passou de US$ 19 bilhões para US$ 50 bilhões em uma década. Militares na ativa e suas famílias merecidamente não pagam por seus cuidados de saúde. Mas a quantia paga por aposentados - US$ 460 anualmente por família - não foi ajustada nos últimos 15 anos.

Gates disse que muitos aposentados ganham salários em tempo integral, além de sua pensão militar e poderiam receber assistência de seus empregadores. Nós devemos a excelência do atendimento aos nossos combatentes, mas este é um momento no qual todos devem ajudar a carregar o fardo.

Mesmo que Gates consiga lidar com outras despesas, especialistas alertam que o alto custo com equipe - salários, saúde, moradia, pensões - cada vez mais irá desencorajar o financiamento de novas armas. Assim que os compromissos dos Estados Unidos no Iraque e Afeganistão diminuam, Washington terá de considerar uma diminuição das forças, começando com a Marinha e a Força Aérea.

Gates conhece bem o cenário de Washington e sabemos que ele entreará nesta disputa com os olhos abertos. Ainda assim, se houver qualquer dúvida sobre contra o que ele está lutando, um subcomitê dos Serviços Armados da Câmara serviu como um lembrete na semana passada - aprovando quase US$ 400 milhões para mísseis de defesa, além dos US$ 9,9 bilhões já solicitados pelo Pentágono. Isso incluiu US$ 50 milhões para um laser aéreo que os especialistas concordam que não funciona e Gates pediu para ser cancelado no ano passado.

Editorial do The New York Times

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