Riquezas do petróleo não chegam ao povo na Nigéria

Escolas continuam em ruínas e comércio é realizado em barracos; população reclama de falta de investimentos

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O dinheiro do petróleo tem percorrido a pantanosa região de Yenagoa, no Delta do Níger, apenas como investimentos que renderam ambiciosos esqueletos inacabados: um hotel arranha-céu fantasmagórico, um shopping center de luxo, um hospital gigante que está quase vazio, além de projetos de habitação - muitos longe de ser concluídos.

Mais perto do povo, as escolas estão em ruínas, o comércio é realizado em barracos miseráveis, soldados operam postos de controle e militantes se escondem em valas.

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Pescador nigeriano, em Ibeno, Nigéria. População reclama da falta de investimentos com dinheiro proveniente do petróleo
Bilhões de dólares das imensas riquezas de petróleo da Nigéria têm sido canalizados para lugares como Yenagoa no ano passado, ainda que não tenham trazido paz ao país. A região ainda é atormentada por enormes disparidades de riqueza, sequestros, sabotagens e ameaças de mais por vir.

Nos últimos meses, esse enigma – a riqueza do petróleo e o contínuo tumulto – emergiu novamente em meio a sinais de que a rebelião não terminou. Um ataque mortal, realizado por insurgentes da região sul, atingiu o coração do poder na Nigéria, em Abuja, a capital do país, matando ao menos 12 pessoas em outubro passado. Desde então, homens armados atacaram uma plataforma de petróleo e fizeram reféns, incluindo dois americanos.

Investimento

Garantir que a riqueza do petróleo seja investida nessa região empobrecida tem sido um pedido dos militantes há muito tempo, mas a recente entrada de dinheiro no país trouxe mais perguntas do que calma.

Em particular, diplomatas estrangeiros, analistas e agências de qualificação, para não mencionar os próprios moradores do país, querem saber o que o governo tem feito com quase US$ 30 bilhões em receitas petrolíferas.

Parte do dinheiro - entre US$ 5 bilhões e US$8 bilhões - foi gasta em esforços até agora infrutíferos em atualizar a fraca produção de energia da Nigéria, que permanece igual a de uma cidade de médio porte dos Estados Unidos, mas em uma nação de mais de 150 milhões de pessoas, a mais populosa da África.

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Barril de petróleo vazio em estrada de Bodo, na Nigéria. Região rica em petróleo reclama de não ter visto retorno com dinheiro do petróleo
Mas o resto do dinheiro continua desaparecido. "Onde estão os US$ 22 bilhões restantes?", perguntou um conselheiro do governo nigeriano com sede no estrangeiro, que pediu anonimato por causa da delicadeza do assunto. "A maioria dos US$ 22 bilhões foi enviada a governos estaduais, sem projetos específicos nos quais gastá-lo, apenas com base na ideia de que o dinheiro estava parado nas contas e deveria ser gasto”.

É inteiramente possível que ninguém faça ideia do que foi feito com essa quantia depois que ela foi dividida em reuniões dos governadores dos Estados. "É basicamente dinheiro gratuito", disse outro consultor financeiro, que aconselhou o governo nigeriano. "Depois que você o consegue, não há prestação de contas sobre o que fez com ele".

Os resultados, ou a falta deles, são visíveis em lugares como essa úmida cidade. Grandiosas construções ocas são vistas sobre os pântanos, novíssimos edifícios governamentais de concreto ao lado de barracos caindo aos pedaços.

*Por Adam Nossiter

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