Revista de turbantes em aeroportos causa reação em comunidade

Organizações de direitos civis sikh protestam contra tratamento de turbantes como anomalia, dentro de novas medidas de segurança

The New York Times |

Três organizações nacionais e de direitos civis sikh afirmam que autoridades aeroportuárias federais planejam realizar buscas dentro de turbantes nas estações de triagem dos aeroportos, mesmo que os portadores voluntariamente passem por aparelhos de raio-x corporal.

As organizações estão pedindo que os eleitores pressionem o Congresso e a Administração de Segurança no Transporte (TSA, na sigla em inglês) para derrubar o que dizem ser uma "política injusta". Representantes de grupos como Coalizão Sikh, Sikhs Unidos e Defesa Legal, e Fundo de Educação Sikh foram a público na sexta-feira após cinco semanas de reuniões com representantes do Departamento de Segurança Interna.

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Festival de comunidade sikh, em Amritsar, na Índia
"Todos nós sentimos que há definitivamente alguns elementos de discriminação racial aqui", disse Jasjit Singh, diretor adjunto do fundo de defesa legal, um grupo de direitos civis em Washington. Hansdeep Singh, um advogado sênior do Sikhs Unidos, com sede em Nova York, disse que o encontro em Washington foi arranjado para ouvir sobre como a nova "tecnologia avançada de aparelhos de raio-x" afetaria os Sikhs, que esperavam que os dispositivos eliminariam a necessidade de triagem extra a que dizem ser obrigados nos aeroportos.

Anomalia

Os sikhs disseram terem sido informados que seus turbantes serão tratados "como uma anomalia por si só", disse Hansdeep Singh. Isso dará poder aos agentes de segurança para realizar buscas adicionais nos turbantes, além das que já costumam fazer, de acordo com os sikhs.

Segundo eles, oficiais da TSA se recusaram, por razões de segurança, a lhes dizer se o aparelho de raio-x é capaz de ver através de um turbante, que normalmente tem diversas camadas de tecido.

Quando selecionados para mais triagens, os sikhs têm a opção de ter seus turbantes conferidos por um oficial da TSA, ou podem tocá-los eles mesmos, desde que suas mãos são inspecionadas em busca de traços de substâncias químicas. Depois disso, eles também são analisados com um detector de metais, o que dizem ser um novo nível de análise.

Ao contrário de detectores de metais, os aparelhos de raio-x corporais podem detectar objetos feitos com outros materiais, como plástico e cerâmica.

Eles são projetados para identificar explosivos do tipo usado por Umar Farouk Abdulmutallab , um nigeriano acusado de tentar explodir um avião transcontinental sobre Detroit no último Natal. Os aparelhos não conseguem detectar todos os tipos de explosivos.

O porta-voz da TSA, Sterling Payne, não quis comentar as alegações dos sikhs ou se houve qualquer mudança nos procedimentos. "A eliminação de todos acessórios de cabeça é recomendada, mas as regras acomodam aqueles com motivos religiosos, médicos ou outros passageiros que não desejam remover o item", disse Payne. "Se o responsável pela segurança não puder determinar que não há ameaça na vestimenta, os indivíduos terão de passar por revista adicional".

*Por Ken Maguire

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