Retratado como classe média, Biden faz uso de benefícios políticos para viver bem

Para os milhões de eleitores que estão conhecendo o senador Joseph R. Biden Jr., o candidato democrata à vice-presidência geralmente se mostra como uma pessoa comum que pega o trem para o trabalho, economiza seu dinheiro e leva uma vida basicamente equiparada à da classe média.

The New York Times |

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"Senhoras e senhores, a mesa da sua cozinha é como a minha", Biden disse quando o senador Barack Obama o apresentou como seu parceiro de disputa. "Você se senta ali à noite depois de colocar as crianças na cama e conversa sobre o que precisa. Conversa sobre o quanto se preocupa com as contas para pagar".

Biden certamente pode mostrar raízes em bairros operários de Scranton, Pensilvânia, e Claymont, Delaware, onde foi criado. Mas atualmente a mesa de sua cozinha fica numa casa colonial de 632 m² feita sob medida numa propriedade de quatro acres diante de um lago, avaliada em quase de US$3 milhões.

Apesar de estar entre os membros menos ricos do clube dos milionários que é o Senado americano (ele e sua mulher Jill, professora universitária, ganham cerca de US$250 mil por ano) Biden mantém um estilo de vida mais confortável do que quer mostrar na campanha. Uma análise de suas finanças mostrou que quando se trata de seus maiores gastos, como a compra e manutenção de sua casa e o uso de trens Amtrak para locomoção, ele se beneficia de recursos e relacionamentos que não estão disponíveis ao americano comum.

Político com vaga garantida, que raramente enfrentou competições sérias nos 35 anos que esteve no Senado, Biden foi capaz de usar recursos de sua campanha para remodelar o jardim de sua casa e pagar por viagens de Amtrak entre Wilmington, Delaware, onde mora, e Washington.

Além disso, a compra de sua propriedade há uma década envolveu ricos homens de negócios e financiadores de campanha, alguns deles banqueiros com interesses em leis que esperavam aprovação do Senado, que compraram sua casa antiga por muito dinheiro, venderam quatro acres a preço de custo e emprestaram US$500 mil para que ele construísse sua nova residência.

Não há nada que sugira que Biden fez algo errado na venda, compra ou financiamento de suas casas. Ao contrário, ele parece ter se beneficiado simplesmente do fato de ser quem é: um senador dos Estados Unidos, não apenas um "Amtrak Joe", o homem comum do vagão de trem que a campanha de Obama empregou para conquistar eleitores da classe média.


Biden: reforma do jardim e viagens caras / NYT

"Ele é VIP e foi tratado como tal pelo nosso banco", disse Ronald Tennant, que lidou com as hipotecas de Biden na construção de sua casa. O banco não ofereceu a ele taxas de juros abaixo das do mercado, algo que já causou problemas entre membros do Congresso. Mas, Tennant disse, "Nós tivemos muito cuidado para que o processo desse certo".

O comitê de Biden afirmou que ele não recebeu tratamento especial nem ofereceu nada às pessoas com quem negociou, e que não criou uma impressão incorreta sobre sua riqueza ao falar durante sua campanha. O senador, afirmou David Wade, seu porta-voz, "nunca esqueceu de onde veio ou onde cresceu, e estes valores da classe média são o motivo de seu trabalho com a classe média".

"Ele sabe que seu salário como senador lhe proporcionou uma vida mais confortável, maiores chances a sua família, como a faculdade de seus filhos e a casa com que sempre sonhou", ele disse.

Quanto aos pagamentos feitos pelo comitê de campanha de Biden, Citizens for Biden, seus assistentes insistem que eles não foram usados para cobrir despesas pessoais do senador, o que seria ilegal.

Advogados eleitorais afirmam que a lei não exemplifica todas as formas como um político pode se beneficiar do dinheiro de sua campanha e que os inspetores relutam em desafiar as explicações dos comitês.

A campanha de Biden disse que os pagamentos aos jardineiros para cortar árvores e grama, que totalizam milhares de dólares, estavam de acordo por causa de um evento político que seria realizado na casa.

Jim Whittaker, co-proprietário da Grass Roots Inc., que recebeu

US$4.345 em 2000, disse que o pagamento provavelmente foi feito por diversas visitas feitas à residência do senador, acrescentando que Biden "atrasou o pagamento uma vez".

"Nós cortamos a grama e colocamos algumas plantas no lugar para ele, limpamos os hidrantes, tiramos o mato", disse Whittaker said. "Uma vez fizemos uma limpeza para um evento, mas não sei se era político ou para amigos".

Além dos custos com paisagismo, um dos maiores gastos da campanha de Biden é o uso de trens Amtrak para o senador, seus assistentes e consultores. Desde 2001, estes gastos variam entre US$9 mil e $15 mil por ano (muito mais do que seus colegas da delegação congressional de Delaware, cujas campanhas gastaram entre US$500 e $3 mil), mostram os registros federais. Como Biden, o outro senador de Delaware, Thomas R. Carper, e o representante Michael N. Castle vão a Washington diariamente.

Usar o trem como meio de transporte pode ser caro, US$84 uma viagem ida e volta de Wilmington ou US$1.062 por um passe mensal, apesar da Amtrak oferecer um desconto pouco conhecido para funcionários federais a negócios. Os senadores não podem usar o dinheiro destinado a suas viagens para ir e voltar do trabalho, afirmou o porta-voz do Comitê de Regras do Senado.

Mas os assistentes de Biden reconhecem que ele às vezes usa dinheiro da campanha para pagar por suas viagens entre Wilmington e Washington se elas "envolverem algum encontro ou evento relacionado à campanha".

Eles não souberam explicar o alto custo de suas viagens pela Amtrak, além de dizer que o valor representa toda sua equipe, como o de outros políticos.

Por MIKE McINTIRE e SERGE F. KOVALESKI

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