Retirada de tropas pode levar à perda de conquistas no Afeganistão

Dentre os desafios que Otan tem pela frente estão altos índices de analfabetismo entre recrutas afegãos e deserções no Exército do país

The New York Times |

Enquanto a Casa Branca se vê em meio a um grande debate interno sobre a rapidez da retirada das tropas americanas do Afeganistão, as Forças Armadas pressionaram na segunda-feira contra a perspectiva de uma retirada súbita, argumentando que deixar o país muito cedo colocaria em risco as conquistas dos anos de luta no local.

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Soldados americanos se preparam para embarcam em base da província de Kunduz, de volta aos EUA (6/3/2011)
Finalizando sua última viagem ao Afeganistão como secretário de Defesa, na segunda-feira, Robert M. Gates, disse às tropas: "Acho que não devemos acelerar o processo em demasia, pelo menos nos próximos meses".

Gates se reuniu no fim de semana com o comandante americano no Afeganistão, o general David H. Petraeus, que está elaborando o cronograma sugerido para a retirada.

O Pentágono sabe que o plano será executado contra o ceticismo da Casa Branca de que a manutenção de tropas no país por mais uma temporada de luta, que teria início na próxima primavera, faz sentido estratégico ou político. Em Washington, oficiais militares de alto escalão dizem que a retirada das forças dos Estados Unidos depende em grande parte da capacidade dos afegãos de se defender, um esforço que admitem ainda ser um trabalho em andamento que os torna relutantes em deixar o país muito rapidamente.

O tenente-general William B. Caldwell, americano encarregado do esforço da Otan em treinar forças afegãs, disse que, embora a Otan esteja a caminho de atingir sua meta de treinamento de 305 mil homens do Exército e forças policiais até outubro, o atrito continua a ser um problema significativo. Essas forças atualmente totalizam 296 mil homens.

Deserções

Caldwell disse que cerca de 30% dos soldados afegãos deixam o Exército a cada ano antes de seu serviço ser concluído, particularmente em áreas de combate pesado, onde eles são mais necessários.

Além disso, ele disse que apenas 1 em cada 10 recrutas sabe ler e escrever, ou seja, a Otan deve primeiro fornecer alfabetização, para que os soldados sejam capazes de escrever seus nomes e ler o número de série de suas armas. Até agora, disse ele, a Otan já treinou 90 mil homens na alfabetização.

O presidente americano, Barack Obama, reuniu-se com seus assessores de segurança nacional na Sala de Situação da Casa Branca para analisar os progressos no Afeganistão na segunda-feira. Essa reunião não se destinava a debater a retirada, o que vai acontecer em um processo separado nas próximas semanas.

Os assessores disseram que Obama não recebeu qualquer recomendação sobre a redução das tropas. Ainda assim, a reunião de segunda-feira foi usada provavelmente para informá-lo sobre esse debate.

*Por David E. Sanger e Thom Shanker

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