Retirada de tropas do Afeganistão depende da Otan

Organização precisa enviar reforços para treinar as forças afegãs e permitir que, no futuro, assumam a segurança do país

The New York Times |

O presidente dos EUA, Barack Obama, foi convincente em dezembro, quando determinou o envio de 30 mil soldados americanos adicionais ao Afeganistão. A maioria desses novos soldados, mais os 58 mil já posicionados no país, combateria a milícia islâmica Taleban.

Um número menor seria destacado para treinar os afegãos em uma força formada pelo Exército local e polícia nacional que, com o tempo, poderiam assumir a responsabilidade de proteger seu país para que americanos e aliados da Otan (Organização do Atlântico Norte) pudessem se retirar.

Essa troca, central para a estratégia de Obama, tem pouca chance de acontecer a menos que a Otan envie mais treinadores militares ao país. Dos 5,2 mil treinadores que os Estados Unidos e seus aliados da Otan concordaram necessitar em janeiro, cerca de 2,7 mil estão no país. Apenas 300 não são americanos.

O anafalbetismo, corrupção e outros problemas não são surpresa em um país tão pobre e subdesenvolvido como o Afeganistão. Mas um perturbador relatório do Pentágono entregue ao Congresso na semana passada reconheceu que um dos "principais desafios" de estabelecer forças de segurança afegãs qualificadas é a falta de "treinadores de primeira linha".

O esforço em treinar a força local - como tudo mais no Afeganistão - foi prejudicado por muitos anos sob o comando do presidente George W. Bush. A tarefa recebeu mais atenção e recursos do governo de Obama. Em novembro, os Estados Unidos e a Otan deram início a uma nova missão integrada de treinamento. Seus líderes, o tenente William Caldwell IV, que antes chefiou escolas de liderança e programas de treinamento em Forte Leavenworth, Kansas, foi colega de classe em West Point do general Stanley McChrystal, principal comandante das forças americanas e aliadas no Afeganistão.

Caldwell trouxe coerência e propósito à missão de renovar o programa de liderança do Exército afegão e padronizar a instrução da polícia local, entre outras inovações. E ele conseguiu duplicar o número de treinadores de 1,3 mil quando começou, para cerca de 2,7 mil hoje. Mas ele – e mais especificamente o secretário da Defesa Robert Gates e McChrystal – estão tendo problemas em fazer com que a Otan cumpra suas promessas.

A Otan concordou que membros não-americanos da força ofereceriam metade dos 5,2 mil treinadores. Desde dezembro, esses países prometeram enviar apenas mil treinadores, e enviaram menos do que isso. Agora, Gates espera enviar americanos para cobrir 600 desses postos por 90 dias.

Além de os americanos estarem por perto para complementar as forças necessárias, Caldwell também teve de lutar para garantir que tropas suficientes substituiriam as tropas americanas bem como posições de gerenciamento em sua equipe. Apesar de toda a conversa sobre uma nova missão e pensamento, ainda há muitos militares – e aqueles que querem se tornar militares – que não consideram o treinamento de pessoal local como um trabalho digno ou caminho para uma promoção. Essa ideia precisa mudar.

Oficiais americanos e da Otan também precisam pensar em criar tropas de combate que sejam treinadas e equipadas para desenvolver as forças de segurança nacional locais em zonas de conflitos no exterior.

As dificuldades em se treinar uma força afegã minimamente eficiente sãos imensas. Houve algum progresso. Novas iniciativas como o aumento de salários e a obrigatoriedade do conhecimento de técnicas de treinamento devem aumentar o profissionalismo e competência. Nenhum desses esforços  resolverá o problema se não houver treinadores da Otan o bastante para ensinar aos afegãos como defender seu próprio país.

*Editorial

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