Restaurantes de comida típica desaparecem de Nova York

NOVA YORK - O balcão de fórmica branco do Restaurante da Família Louise no Harlem é o mesmo há mais de 40 anos. Pratos sulistas como pé de porco com feijão preto e batata doce custam US$8. A limonada ainda é servida em copos de plástico.

The New York Times |

O restaurante tem capacidade para 18 pessoas, mas raramente está cheio. O menu faz poucas concessões aos hábitos alimentares modernos. A comida é abertamente pesada, frita, salgada e gordurosa, como uma fruta ou um vegetal nunca serão. Além disso, muitos pratos são considerados incompletos sem o complemento de molho marrom e manteiga.

O Louise está entre os poucos sobreviventes culinários de um Harlem mais antigo, quando restaurantes familiares baratos coordenados por  negros do sul do país dominavam as ruas. "As pessoas estão acostumadas a comer a comida soul como nós a fazemos", disse Julia Wilson, 63, dona do Louise e filha do fundador do restaurante. "Muitas pessoas gostam que eu mantenha esse clima antigo".

Mas o Louise está do lado errado das tendências. A comida soul, como é conhecida, está morrendo no Harlem e em outras partes da cidade e um restaurante não conseguir  atrair 18 pessoas é apenas mais uma indicação disso. Os motivos podem ser resumidos às mudanças na vida contemporânea da cidade: nos gostos, na relação com a saúde, na cultura fast-food e no fluxo maior de jovens adultos mais abastados - incluindo afro-americanos, principais consumidores dos restaurantes soul - que se sentem mais confortáveis comendo pratos indianos ou tailandeses.

Uma lista dos restaurantes de comida soul  (onde a garçonete chamava todo mundo de "Baby" e a temperatura do ambiente era determinada pela quantidade de gordura na frigideira) que desapareceram do Harlem seria maior do que qualquer menu deste tipo de estabelecimento.

Todos os meses fazem novas casualidades: o Cozinha Sulista do Charles fechou as portas na Rua 125 neste verão depois que o aluguel duplicou, a Casa de Frutos do Mar e uma filial do Restaurante de Comida Soul Manna fecharão as portas no final da temporada para dar lugar a um shopping center na mesma rua.

Charles Copeland, 83, que fechou seu conhecido restaurante Copeland's no ano passado, depois de 50 anos de existência, por causa do declínio nos negócios, disse que a enobrecimento da região e o aumento nos preços dos alimentos básicos ainda irão fazer muitas vítimas nesta atividade.

Por TIMOTHY WILLIAMS

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