Resistência aos rótulos dificulta tratamento de HIV no México

CIDADE DO MÉXICO - Este homem de 29 anos não é homossexual. Ele manteve relações sexuais com um homem uma única vez, mas diz que isso foi resultado de uma mistura de solidão e hormônios carentes. Ele suspeita que foi nesse encontro que contraiu o vírus causador da Aids. Mas não é gay, não importa o que pensem.

The New York Times |

"Uma única vez", disse o homem, que se chama Eduardo, relembrando a relação sexual que teve quando era imigrante ilegal em Nova York. Ainda assim, ele não quis se identificar por medo de ser estigmatizado como homossexual.

Há muito tempo, especialistas em Aids de todo o mundo abandonaram os termos "gay" e "homossexual" em conexão à doença e começaram a se referir a "homens que mantêm relações com homens". Não importa qual rótulo esses homens usem para si mesmos (gay, bissexual, transvesti ou heterossexual que experimentou por uma noite ou foi forçado a isso) eles permanecem um grupo de alto risco quando o assunto é HIV.

Aqui no México, onde a 17ª  Conferência Internacional de Aids acontece esta semana, alguns 'hombres que tienen sexo con hombres', ou HSHs, como são chamados, se consideram gays. Alguns juram que são heterossexuais. Muitos permanecem na zona cinzenta entre um e outro.

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Mulher passa por cartaz da conferência na Cidade do México

"A identidade sexual é algo muito complexo", disse Hector Carrillo, professor de estudos de sexualidade humana na Universidade de Estadual de São Francisco que pesquisou o assunto no México. "Nós gostamos de pensar que uma vez que alguém entende sua atração sexual irá entrar numa categoria criada por nós, mas a vida não é assim".

HIV e Aids se concentram entre homens no México, principalmente entre os que mantiveram relações com outros homens. Enquanto a representação do HIV na população geral é de 0.3%, entre os homens que mantêm relações com outros homens esse número pula para 15%.

Especialistas dizem que aqueles que vivem em negação freqüentemente adotam comportamentos de maior risco, mas não reconhecem isso para ninguém, geralmente nem mesmo para si mesmos. Esses homens são particularmente difíceis de se alcançar em campanhas educativas porque se afastam quando percebem que a mensagem é direcionada a homens gays.

"Eu diria que a maioria dos homens mexicanos que mantém relações com outros homens nunca irá reconhecer que é gay ou bissexual", disse o Dr. Jorge Saavedra, gay portador do HIV que coordena o programa de combate à Aids do governo do México. "Apenas em entrevistas de maior profundidade você conseguirá perceber a verdade escapar aos poucos. Isso torna nosso trabalho muito mais difícil uma vez que há tanta vergonha envolvida".

Por MARC LACEY

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