Resgate financeiro não deve prejudicar salário de executivos

Segundo o plano de resgate dos bancos americanos revelado na terça-feira, nenhuma cabeça irá rolar, exatamente como na Grã-Bretanha. Nenhum executivo irá passar fome, tampouco. Mas sua vida pode não ser mais tão fácil.

The New York Times |

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O plano do Tesouro busca se concentrar no pacote de oito dígitos concedido aos executivos de Wall Street que irritou muitos americanos diante da crise financeira.

Os bancos que receberem ajuda do governo terão que seguir algumas regras sobre o pagamento de seus cinco principais executivos. Eles não poderão oferecer "garantias douradas" e terão que pagar mais impostos caso uma compensação individual seja maior que US$500 mil.

"A questão principal será como irão implementar isso", disse o representante Barney Frank, que é presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara e há muito busca restringir o pagamento de executivos. Ele disse não acreditar que o Tesouro tenha feito o suficiente, mas elogiou o plano por atacar os "incentivos exagerados"
que geraram essa crise.

Especialistas em compensação afirmaram que a provisão, ainda que politicamente prudente para acalmar a raiva pública, irá provavelmente ter pouco impacto sobre como os executivos serão pagos no futuro.

Eles preveem que os bancos irão simplesmente pagar mais impostos e encontrar outras formas criativas de pagar seus executivos como acharem melhor. Alguns acreditam que haverá uma onda súbita de compensações assim que o programa do governo terminar, em alguns anos, levando a números exorbitantes no final.

"As tentativas do Congresso de regulamentar o pagamento de executivos são falíveis", disse Kevin J. Murphy, professor de finanças na Universidade do Sudeste da Califórnia, apontando resultados desastrosos no passado.

Quando o Congresso limitou a dedução fiscal de salários a US$1 milhão, por exemplo, isso simplesmente levou a uma busca por opções em ações e compensações ainda maiores.

Como outros especialistas, Murphy espera que a limitação de US$500,000 seja amplamente ignorada, com os bancos dispostos a aceitar as consequências e pagar os impostos. Para muitos dos principais executivos, tal salário simplesmente não seria competitivo:
"US$500,000 representa uma boa semana", ele disse, acrescentando que muitos destes executivos responderiam a tal sugestão abandonando seu cargo por um emprego num banco não controlado.

Mas o que o Tesouro não conseguirá com seu plano será temporariamente atingido através da fraqueza da economia, da queda nos preços das ações e de diretorias frustradas com a pressão dos acionistas irritados com os excessos do passado, afirmam alguns especialistas.

Por REED ABELSON

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