Republicanos se preparam para competir 'online' em 2012

Candidatos do Partido Republicano desenvolvem estratégias de mídia social para disputar eleição presidencial dos EUA com Obama

The New York Times |

Como parte de um plano para reconstruir o movimento popular que o levou à Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, usou o YouTube esta semana para pedir aos seus 19.3 milhões de amigos no Facebook que o acompanhassem e convidassem outras pessoas para um debate que aconteceu na sede do site na quarta-feira - com Mark Zuckerberg ao seu lado.

"Oi, todo mundo", diz Obama no vídeo de de 30 segundos publicado no YouTube na segunda-feira e veiculado em sua página no Facebook. "Eu só quero tomar um minuto para convidá-los para um debate sobre a economia que acontecerá na sede do Facebook nesta quarta-feira, dia 20. Vai ser transmitido ao vivo e eu vou responder a perguntas de pessoas de todo o país”.

Na tarde de terça-feira, mais de 22 mil pessoas haviam se inscrito para participar.

Tudo isso faz parte dos esforços eleitorais de Obama em usar as mídias sociais e outras ferramentas online para conquistar adeptos. Mas ao contrário da última campanha presidencial, os republicanos estão mais preparados para competir online na disputa de 2012, com as suas próprias táticas digitais inovadoras e estratégias de mídia social.

AP
Obama responde perguntas em evento na sede do Facebook, enquanto é observado pelo fundador do site, Mark Zuckerberg (20/04)

"A noção de que a Internet pertence aos liberais surgiu após a vitória de Obama e se mostrou incorreta", disse Patrick Ruffini, um estrategista político republicano que assessora a pré-campanha de Tim Pawlenty, ex-governador de Minnesota. Ele já trabalhou como consultor digital para a campanha do presidente George W. Bush em 2004 e posteriormente no Comitê Nacional Republicano.

Durante as eleições parlamentares do ano passado os republicanos alcançaram os democratas no uso de tecnologia e redes sociais. Agora, muitos republicanos eleitos para a Câmara e o Senado estão usando essas ferramentas mais do que os democratas, de acordo com diversos especialistas em política e tecnologia.

"Esta será a primeira eleição na história moderna em que ambos os lados entendem o potencial da tecnologia para mudar os resultados", disse Andrew Rasiej, co-fundador do TechPresident.com, um blog que cobre política e tecnologia, e conselheiro digital para os democratas desde a campanha presidencial de Howard Dean em 2004. "Os dois partidos estão prontos para utilizar as plataformas online e deixaram de ser céticos sobre o seu potencial”.

O que os republicanos reconheceram após a derrota do senador John McCain em 2008 é que a estratégia digital de Obama foi profundamente integrada à sua campanha no mundo real. A equipe de Obama usou seu website, emails e mensagens de texto para fazer mais do que transmitir sua mensagem de campanha. As ferramentas facilitaram que as pessoas doassem online, se voluntariassem para ações em campo, especialmente nos Estados da bancada ruralista, e assumissem a responsabilidade por outros aspectos da campanha, como a montagem de grupos de vizinhos para um bate-papo, combate à oposição e a criação de uma aplicação para iPhone da campanha Obama'08.

"Muitas vezes, você aprende mais quando perde do que quando ganha", disse Matt Lira, que trabalhou na equipe digital da campanha presidencial de McCain e que agora é diretor de novas mídias para o deputado Eric Cantor da Virgínia, líder da maioria republicana na Câmara.

Lira disse que, em uma reunião em janeiro de 2009, os republicanos da Câmara assumiram o compromisso de entrar no terreno digital e agir agressivamente durante as eleições parlamentares de 2010 para inscrever candidatos no Twitter e no Facebook. "Você não se torna um possível candidato à Câmara a menos que pretenda fazer um forte uso da web", disse Lira.

Sarah Palin - que recentemente inaugurou um site novinho em folha que permite que seus apoiadores contribuam financeiramente com o seu comitê de ação política - há muito tempo tem uma presença consolidada e robusta no Twitter e no Facebook, onde tem quase 2,9 milhões de fãs.

Reprodução
Site de Sarah Palin permite que internauta faça doações e "siga" candidata nas redes sociais

Outros possíveis candidatos presidenciais republicanos para 2012, incluindo Newt Gingrich, Michele Bachmann e Mike Huckabee, também usam Facebook, Twitter e YouTube. Mitt Romney anunciou seu comitê exploratório na semana passada com um vídeo, uma atualização na sua página do Facebook, que tem quase 845.000 fãs, e um novo site. Pawlenty apresentou algo ainda mais inovador: uma camada de jogos sociais que usa conceitos do Farmville e Foursquare, que premia usuários com brasões e revela os apoiadores que participam mais avidamente na campanha. Como exemplo, os apoiadores ganham 10 pontos por ligar sua conta do Facebook ao site da campanha e 5 pontos por adicionar sua conta do Twitter. Se você publicar uma mensagem na sua página do Facebook ou criar seu próprio grupo, recebe um brasão.

O Facebook, principalmente, permite que os candidatos colham dados valiosos. Dependendo das configurações de privacidade, quando um usuário "curte" uma página ou aplicativo do candidato pode dar a ele acesso a seu email, cidade e rede de contatos pessoais.

"Os dias em que você precisava entrar num site, se inscrever e esperar que um coordenador de campanha tivesse tempo para entrar em contato e avisá-lo sobre como poderia se envolver acabaram", disse Ruffini.

Nenhum dos estrategistas digitais republicanos ou democratas acredita que as mídias sociais ou outras ferramentas digitais sejam capazes de, sozinhas, ganhar uma eleição. Embora não exista dúvida de que o Facebook e outros canais de mídia social serão uma ferramenta poderosa para os candidatos à presidência em 2012, os eleitores ainda podem esperar uma enxurrada de publicidade tradicional na televisão e mala direta.

"Nós observamos o número de fãs no Facebook e as visitas no website e ainda não chega nem perto do alcance da televisão", disse Ruffini. "Mas coisas como o mural de notícias do Facebook nos dão a capacidade de fornecer informações para as pessoas”.

Os eleitores republicanos se equiparam aos democratas na utilização destas ferramentas. Segundo um estudo realizado pelo Centro Pew de Pesquisa para Internet e Sociedade, 40% dos republicanos que acessam a internet usam as mídias sociais para se envolver politicamente em uma campanha, em comparação com 38% dos eleitores democratas. Os apoiadores do movimento Tea Party são especialmente propensos a usar as redes sociais para manter contato com um grupo político ou candidato.

"Não é que os democratas ou jovens ou liberais tenham se tornado menos ativos", afirmou Aaron Smith, autor do estudo. "É que os adultos mais velhos, os eleitores conservadores e ativistas do movimento Tea Party, passaram a participar mais. Agora você vê um monte de pessoas diferentes usando estes espaços para resolver questões políticas. Esta é uma grande diferença do que vimos em 2008".

Candidatos presidenciais republicanos continuam a enfrentar um formidável inimigo online: Obama. Ele anunciou a sua campanha de reeleição este mês através de emails e mensagens de texto, publicações no Twitter, um pequeno vídeo no YouTube e um novo aplicativo que conecta os adeptos e amigos do Facebook no seu site de campanha com uma pergunta: "Você está dentro?”

"Vamos usar as mídias sociais e toda tecnologia de ponta disponível para abastecer a energia e o compromisso do povo, comunidade por comunidade, bairro por bairro, de casa em casa, em todo o país", disse Katie Hogan, porta-voz da campanha eleitoral de Obama. “Queremos que sejam iniciadas discussões em comunidades, entre amigos, vizinhos e parentes sobre o que eles querem desta campanha, e vamos continuar a usar ferramentas de mídia social para que isso aconteça”.

Por Jennifer Preston

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