Republicano antiguerra deixa de ser pária de seu partido

Crítico da invasão do Iraque e defensor da retirada das tropas dos EUA do Afeganistão, Walter B. Jones emerge como herói liberal

The New York Times |

Em assuntos como aborto, gastos militares e religião, o republicano Walter B. Jones parece completamente em sintonia com a região de Greenville solidamente conservadora no leste da Carolina do Norte, que abriga o Corpo de Fuzileiros Navais Lejeune e milhares de militares aposentados.

Quando a questão é a guerra, no entanto, Jones tem desafiado o senso comum. Crítico da invasão do Iraque pelos Estados Unidos desde o início, ele foi condenado ao ostracismo pela liderança republicana no Congresso.

No entanto, agora ele está emergindo como o principal defensor de uma rápida retirada das forças americanas do Afeganistão, algo que fez dele um herói liberal. "Quando você fala sobre a guerra, os partidos políticos não importam", disse ele em entrevista.

Reprodução
O republicano Walter B. Jones, em imagem retirada de vídeo do YouTube
Mas Jones já não é o político solitário que era há cinco anos. No fim do mês passado, uma emenda que visa acelerar a retirada das tropas americanas do Afeganistão patrocinada por ele e o representante Jim McGovern, democrata de Massachusetts, quase foi aprovada em parte porque 26 republicanos romperam com a sua liderança para apoiá-la – o triplo do número que votou a favor de uma medida semelhante no ano passado. Entre seus defensores estavam pelo menos três calouros eleitos com o apoio do movimento Tea Party.

Alguns analistas de política externa agora veem Jones, 68 anos, o deputado Ron Paul, republicano do Texas, e um pequeno grupo de participantes do

movimento Tea Party como a vanguarda de um movimento conservador para conter o poder militar dos Estados Unidos – uma ruptura com a política externa muscular do presidente George W. Bush.

"Eles refletem um crescente descontentamento dentro do Partido Republicano a respeito das guerras e uma sensação crescente de que não querem gastar mais dinheiro nelas", disse John Isaacs, diretor-executivo do Conselho Para um Mundo Habitável, um grupo de defesa que promove o controle do uso de armas. "Eles são a favor da não intervenção militar".

Jones concordou, dizendo: "Já não podemos policiar o mundo. Nós não somos a potência mundial. A China é. A nossa economia está em caos neste momento”.

Mudança de opinião

Conversas com os eleitores no distrito de Jones, que abrange grande parte do litoral atlântico da Carolina do Norte, sugerem que eles ficaram confusos ou enfurecido com sua oposição ao Iraque, em 2005, mas estão gostando de suas opiniões sobre o Afeganistão em 2011.

Em Beaufort, a cerca de 50 quilômetros de Lejeune, vários ex-fuzileiros reunidos em um evento para comemorar o Memorial Day concordavam com Jones. "Estamos perdendo muita gente lá e não estamos recebendo nada em troca", disse Gregory Barnett, que passou 22 anos no Corpo de Fuzileiros Navais. "Agora que pegamos Bin Laden, tivemos lá o tempo suficiente”.

*Por James Dao

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