Repensando o governo conservador de pequena influência

O presidente eleito Barack Obama e o Congresso Democrata estão a ponto de receber uma grande ajuda do governo liberal. Os conservadores tendem a se opor a maior parte das propostas de Obama e seu partido. E eu acredito que eles estão certos.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

Mas os conservadores deveriam pensar duas vezes antes de entrar em uma guerra contra Obama sob o título de conservadorismo com pouca influência do governo.


É um rótulo que os republicanos e conservadores encontraram novamente desde a eleição e tem espalhado por aí vigorosamente. Jeb Bush, que pretende se candidatar ao Senado em 2010, foi bem longe no mês passado ao dizer ao Político que Não deveria existir nada como um governo republicano de grande influência.

Sério? Jeb Bush teve sucesso e foi um popular governador da Flórida com cortes de taxas, reformas políticas e privatização de serviços do governo, para falar de seus feitos durante o mandato. Ainda, em seus dois mandatos no Estado os gastos cresceram mais de 50% - uma taxa mais rápida que a inflação mais o crescimento da população. Acontece que, no mundo real da governança republicana, não há vários governos republicanos que tem pouca influência.

Cinco republicanos já ganharam as eleições presidenciais de 1932: Dwight Eisenhower, Richard Nixon, Ronald Reagan e os dois George Bush. Apenas Reagan chegou perto de ter um governo conservador de pouca influência. E, em 1980, ele fez campanha focando mais no corte de taxas e na construção da defesa nacional e menos em um governo entusiasta de pouca influência nos moldes do homem que apoiou ¿ e que havia perdido ¿ em 1964, Barry Goldwater. E os registros de Reagan como governador e presidente não mostram um governo particularmente incrível.

Mesmo o Contrato com a América do Grand Old Party (GOP, Partido Republicano dos EUA) de 1994 teve apenas vagas promessas para eliminar o déficit no orçamento e não propôs cortes específicos nos programas de governo. Ele focou mais no crime, nos impostos, na reforma do auxílio-emprego e do governo.

Na verdade, a Revolução Republicana de 1995 implodiu primeiramente por causa da iniciativa do governo de pouca influência do Congresso Republicano ¿ a tentativa de cortar (ou seja, reprimir o crescimento da) Medicare (tipo de seguro de saúde dos EUA). Parece que George W. Bush aprendeu a lição. Antes de sua reeleição, ele propôs e apontou uma constituição legislativa popular (que acabou sendo um sucesso), contrária ao governo conservador de pouca influência, acrescentando uma medida benéfica para a Medicare.

Então falar de governo de pouca influência deve ser música para os ouvidos conservadores, mas não para o público como um todo. Isso não quer dizer que o público gosta do governo liberal de grande influência. Só que o que o governo liberal de grande influência tem de politicamente vulnerável diz mais respeito a sua parte liberal do que por ser um governo de grande influência.

Agora, é verdade que o tamanho da influência do governo e a agenda liberal moderna estão conectados. Também é verdade que o conservadorismo moderno deve incluir um grande compromisso com o governo limitado (embora enérgico) e com o governo constitucional (embora este não seja necessariamente de pequena influência ou fraco). Ainda, há uma diferença entre o conservadorismo que está preocupado com o governo limitado e constitucional e aquele que foca simplesmente em se opor ao governo de grande influência.

Então: se você apóia um governo conservador com pouca influência, você tenderá a opor os pacotes de resgates. Se você aceita mais ou menos um governo com bastante influência, estará aberto às medidas que o governo tomará para salvar o sistema financeiro ou a indústria automobilística. Mas você tenderá a favorecer tais políticas ¿ corte universal de impostos, oferecer a qualquer um a oportunidade de refinanciar sua hipoteca, liberar a indústria automobilística de regras pesadas ¿ isso, em coerência com os princípios conservadores, não retribui o comportamento irresponsável e não infiltra a politicagem nos mercados.

Similarmente, se você é contra ao governo de grande influência, você se oporá ao enorme pacote de estímulo aos empregos públicos. Se você acha que alguma ação do governo é inevitável, ao invés disso você deve apontar que o bem público mais ambíguo é a defesa nacional.

Você deve então lembrar que gastar uma boa parte do estímulo na segurança nacional ¿ direcionar dólares para a aquisição da defesa tão necessitada e financiada ao invés de mandá-los para tecnologias estranhas e sustentáveis, tendo certeza de que os fundos estão disponíveis para a expansão necessária do Exército e da Marinha antes de correr para a criação do estímulo para a infra-estrutura do transporte e das escolas.

Ótimo, mas muitas escolas e aeroportos me parecem estar recebendo condições muito melhores e mais generosas, recentemente, do que a maioria das bases militares que eu tenho visitado.

Eu não posso evitar admirar a lealdade de alguns de meus colegas conservadores à causa do governo de pequena influência. Isso me lembra a nobreza da Tennyson Light Brigade (poema que retrata a coragem e a tragédia da Batalha de Balaclava na Rússia em 1854), quando se declara uma guerra: Theirs but to do and die (Deles, mas para fazer e morrer). No entanto, talvez seja melhor primeiro pensar no porquê.


Por WILLIAM KRISTOL

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