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Relutante, Obama cede à comemoração de 100 dias de governo

WASHINGTON - Quando o assunto é a marca de seus http://ultimosegundo.ig.com.br/100_dias_de_obama/ target=_top100 dias no governo, o presidente Barack Obama e sua equipe eram contra antes de aceitar a comemoração.

The New York Times |

Segundo a Casa Branca, Obama nunca se importou muito com a ideia de comemorar seu centésimo dia no gabinete, que acontece na quarta-feira. Uma convenção jornalística armada, rotularam seus assistentes sênior.  (OK, eles têm uma certa razão.)

"Não será tão diferente assim do 99º", declarou o secretário de imprensa de Obama, Robert Gibbs. "Um motivo para a venda de cartões", disse o conselheiro sênior, David Axelrod.

Mas mesmo ao declarar um certo desdém pela pseudo-marca, os assessores de Obama silenciosamente abraçaram a ideia. Através de uma agenda meticulosamente planejada (um encontro em estilo comitê municipal em St. Louis, seguido de uma coletiva de imprensa em horário nobre) e um gerenciamento sofisticado da mídia, a Casa Branca se aproveita do insaciável apetite público por tudo que envolve Obama para usar o momento que marcará seus 100 dias a favor do presidente.


Equipe de Obama agendou uma série de eventos para seu 100º dia no poder / Getty Images

"Incríveis imagens de Obama", grita a manchete da revista online Slate. Claro que elas são incríveis, afinal de contas foram tiradas pelos fotógrafos oficiais do presidente a tempo do centésimo dia. Em uma, Obama com a primeira dama, em um momento particular, testa contra testa. Em outra, ele no ar, lançando bolas de basquete ao cesto com seu secretário de educação. Em Estrasburgo, França, durante uma profunda conversa com Axelrod.

"É como aquela antiga tática na qual o comediante pede que a plateia pare de aplaudir, mas faz movimentos para que continuem", disse Richard Stengel, editor da revista Time. "Eles estão fazendo a mesma coisa, dizendo, 'Isso não é muito importante, mas é importante'".

Stengel sabe o que diz. Sua revista veiculou esta semana com uma matéria de capa sobre os 100 Dias, escrita por Joe Klein, em óbvia colaboração com a Casa Branca.

Obama começou a tentar minimizar as expectativas para sua presidência poucas horas depois de sua eleição. "Pode ser que não seja possível chegarmos aonde queremos em um mandato", ele declarou a milhares de pessoas naquela noite de novembro no Parque Grant, em Chicago.

Ao fazer isso ele soou como outro novo presidente, John F. Kennedy Jr., que proclamou em seu Dia de Posse, "Isso tudo pode não ser conquistado nos primeiros 100 dias, tampouco nos primeiros 1.000 dias".

Mas agora que o centésimo dia se aproxima da Casa Branca, faz sentido político que a gestão se envolva. As pesquisas (sim,  as pesquisas dos 100 dias foram divulgadas - ninguém parece se importar com o fato de sexta-feira ter sido apenas o 95º dia) mostram que cerca de dois terços do público aprovam o trabalho de Obama . Portanto não há motivos para a Casa Branca evitar a comemoração.

Ao invés disso, os consultores de Obama tentam "gerenciar a data", nas palavras de um oficial sênior, ao colocar no palco seu melhor orador (o presidente) para que divulgue um relatório de progresso à nação. Obama falará sobre como, ainda que tenha começado a lidar com alguns dos principais desafios do país, ainda há muito trabalho a ser feito.

"Claramente eles perceberam que uma vez que terão tanta atenção do povo americano é melhor usá-la para comunicar a mensagem diretamente a ele", disse Anita Dunn, estrategista democrata que aconselhou informalmente a Casa Branca sobre os 100 dias.

E indiretamente. Com tantos veículos preparando especiais dos 100 dias, os principais assessores de Obama tentam moldar a cobertura. Marc Lippert, conselheiro para políticas externas, falou a um grupo de repórteres na sexta-feira. Axelrod respondeu perguntas de colunistas no Salão Roosevelt na quarta-feira.

Ainda que seja verdade que 100 dias não são o suficiente para se analisar uma presidência, Obama não vive tempos comuns. Ele subiu ao poder em um momento de crise, com uma agenda mais ambiciosa do que qualquer presidente desde aquele que estabeleceu a Convenção dos 100 Dias, Franklin D. Roosevelt. Então talvez seja apropriado prestar atenção.

"Se eu estivesse escrevendo sobre George H.W. Bush, não gastaria dois segundos em seus 100 dias e posso dizer o  mesmo de Nixon", disse Michael Beschloss, historiador presidencial. "Mas neste caso, se imaginar um historiador do futuro analisando a presidência de Obama, seria difícil imaginar que o que ele fez em três meses não teve enorme importância".

- SHERYL GAY STOLBERG

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