Religiosos acusam Irã de manter silêncio diante de mortes na China

BEIRUTE - Três proeminentes religiosos criticaram as autoridades iranianas por não condenarem a morte recente de centenas de muçulmanos na China. Mas seus comentários pareciam criticar a própria conduta do governo iraniano durante a repressão que se seguiu à disputada eleição presidencial do dia 12 de junho.

The New York Times |


Um dos religiosos, o aiatolá reformista Youssef Sanei, comparou as situações dizendo que o Irã, que se considera defensor dos muçulmanos de todo o mundo, não poderia criticar as táticas repressoras da China por tê-las adotado recentemente. Ele também disse que o silêncio do Irã tem relação com seus elos comerciais, militares e políticos com a China.

"Como a China pode reprimir os muçulmanos de maneira tão violenta e buscar boas relações com países muçulmanos, chegando até mesmo a dominar seus mercados?", escreveu Sanei, em artigo publicado em websites de notícias e de grupos reformistas.

Diversos membros do parlamento e do Conselho da Cidade de Teerã evocaram a mesma comparação, relatam websites locais. Apesar de alguns parecerem genuinamente transtornados com a morte dos muçulmanos uigures na China, a questão claramente teve maior impacto diante da violência que tomou conta do próprio Irã, onde muitos manifestantes da oposição foram mortos e feridos desde a eleição.

O tenso funeral de um dos manifestantes, Sohrab Arabi, 19, foi realizado na segunda-feira em Teerã. A família de Arabi acreditava que ele havia sido detido e descobriu apenas no final de semana que ele foi morto em uma manifestação no dia 15 de junho.

Vídeos do funeral, no qual dezenas de pessoas são vistas segurando fotografias e entoando "Deus é grande", foram publicados na internet. O serviço foi monitorado de perto pela polícia, que alertou a família para que não permitisse qualquer protesto ou cantos contra o governo, de acordo com testemunhas.

O governo disse que 20 manifestantes foram mortos no total desde a eleição, mas membros da oposição afirmam que o número é muito maior, possivelmente centenas. Outras centenas de pessoas foram presas e continuam detidas sem acusação. Algumas foram libertadas e não se sabe quantas permanecem sob custódia.

As prisões geraram inúmeros tipos de protestos na segunda-feira. Cerca de 200 pessoas armaram um protesto silencioso se sentando diante do Hospital Shariati em Teerã, relatam os websites locais.

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