Relatório sugere problemas em esforço nuclear do Irã

Documento de Agência de Energia Atômica fala em combustível de centrífugas, máquinas adicionais e mais recursos para produção

The New York Times |

Inspetores informaram, nesta semana, na terça-feira, que o Irã parou misteriosamente de alimentar urânio a milhares de centrífugas de sua principal usina de enriquecimento este mês e especialistas independentes sugerem que o vírus de computador suspeito de ser destinado ao programa nuclear do país danificou suas máquinas.

O Irã negou e os especialistas disseram não ter provas de que o desligamento inexplicável tenha sido um resultado do vírus Stuxnet – um programa malicioso que foi detectado este ano em computadores, principalmente no Irã, mas também na Índia, Indonésia e outros países.

AP
Planta nuclear em área vazia da cidade de Bushehr, no Irã (26/10/2010)
Ciberatacantes "tentam se infiltrar nas instalações nucleares do nosso país" há um ano, disse Ali Akbar Salehi, chefe do programa atômico do Irã, a uma agência de notícias iraniana na terça-feira. Mas, acrescentou, "jovens especialistas do país pararam o vírus exatamente nos pontos que os inimigos queriam infiltrar".

Recentemente, especialistas ocidentais dissecaram o vírus de computador e informaram que ele foi fabricado justamente para poder fazer o país perder o controle das centrífugas nucleares.

O relatório de terça-feira da Agência Internacional de Energia Atômica afirma que os seus inspetores, quando em visita à principal usina de enriquecimento de urânio em Natanz, no deserto iraniano, no dia 16 de novembro, notaram que os engenheiros haviam parado de alimentar as centrífugas com urânio. Seis dias depois, o Irã disse que havia reiniciado o processo.

O relatório menciona um outro sinal de possíveis problemas com as máquinas. Os inspetores da agência disseram que o Irã tem 4.816 centrífugas designadas para o processo de enriquecimento de urânio em sua principal usina – 1.044 a mais do que o identificado há quase três meses e perto do auge do ano passado de 4.920 máquinas. Mas os números revelam que a eficiência da produção diminuiu.

Máquinas adicionais

Apesar de mais de 1 mil máquinas adicionais, o Irã foi capaz de aumentar sua produção em apenas 379 kgs na usina principal. Isso representa um aumento de 14%. No período anterior, os inspetores descreveram um aumento de 376 kg, ou 15%.

Em outras palavras, a produção da usina permaneceu praticamente a mesma, apesar de o Irã colocar muitos outros recursos no trabalho. "A eficiência é baixa", disse um especialista nuclear europeu familiarizado com o relatório dos inspetores atômicos, que falou sob condição de anonimato devido à sensibilidade diplomática da questão.

David Albright, presidente do Instituto para Ciência e Segurança Internacional, grupo em Washington que controla a proliferação nuclear, disse em uma entrevista que as novas revelações fazem os danos causados pelo vírus Stuxnet terem "mais credibilidade".

Apoio americano

Autoridades dos Estados Unidos não reivindicaram a autoria do vírus, mas dizem que o governo Obama intensificou um amplo programa secreto, herdado da administração Bush, para minar o programa nuclear iraniano.

Desde 2006, o Conselho de Segurança da ONU tem apelado ao Irã para que suspenda seu enriquecimento de urânio e castigou o país com quatro rodadas de sanções por sua recusa. O Irã insiste que seu programa nuclear é pacífico, enquanto o Ocidente teme que ele tenha construído usinas de enriquecimento de urânio e esteja enriquecendo o produto para produzir combustível para bombas atômicas.

O relatório também disse que Teerã, ampliando uma rejeição que começou há mais de dois anos, mais uma vez se recusou a responder perguntas sobre o possível trabalho militar por trás de seu programa nuclear.

No fim de outubro, os inspetores disseram que a agência havia fornecido ao Irã uma lista de questões pendentes sobre documentos e outros materiais que pareciam ser estudos envolvendo armas nucleares, que o Irã tem repetidamente descartado como falsificações. As questões são centradas em dispositivos de segurança, a gestão de projetos relacionados com explosivos nucleares, “informações detalhadas relacionadas à fabricação de componentes para sistemas de iniciação de explosivos" e experimentos envolvendo partículas subatômicas que podem atuar como gatilhos nucleares.

As perguntas feitas às autoridades iranianas, de acordo com o relatório, ressaltaram a necessidade de resolver "todas as questões que deram origem a preocupações sobre as possíveis dimensões militares" do programa.

O relatório acrescentou que a agência atômica "continua preocupada com a possível existência no Irã de atividades nucleares anteriores ou atuais não informadas", incluindo "o desenvolvimento de uma carga nuclear para um míssil".

*Por William J. Broad

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