Relatório: no passado, papa quis punir padres infratores

Então cardeal, Joseph Ratzinger pediu ao Vaticano procedimento mais rápido para disciplinar padres culpados de conduta escandalosa

The New York Times |

O papa Bento 16 pediu procedimentos "mais rápidos e simplificados" para punir padres infratores já em 1988, quando era chefe doutrinário do Vaticano, mas seu pedido não foi cumprido. A revelação foi feita por documento até então desconhecidos, mas que foram divulgados pelo Vaticano no início de dezembro.

No auge da crise de abuso sexual, os defensores de Bento disseram que ele há muito discutia a necessidade de disciplinar os padres que haviam sido considerados culpados de falta grave, enquanto outros oficiais do Vaticano defendiam mais clemência. A nova documentação é a mais completa a ser divulgada sobre seu apoio.

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Pontificado de Bento 16 viu auge da Igreja Católica como alvo de denúncias sobre abuso sexual
A divulgação acontece em meio a relatos na mídia alemã questionando o histórico do papa como arcebispo de Munique, quando um conhecido padre pedófilo foi transferido para a sua diocese. Os novos documentos, liberados na edição online do jornal do vaticano, L'Osservatore Romano, parecem querer defender o papa contra alegações de que quando chefe doutrinário do Vaticano, ele fazia parte de uma cultura de inércia e atraso que fez com que os padres não fossem rapidamente disciplinados por abusar de menores.

O artigo citou em particular uma carta de 1988 em que o papa, então cardeal Joseph Ratzinger, enviou ao Vaticano pedindo "um procedimento mais rápido e simplificado" para disciplinar padres "culpados de conduta grave e escandalosa".

Na carta, ele acrescentou que esses procedimentos "deveriam, em alguns casos, para o bem dos fiéis, ter prioridade sobre o pedido de dispensa das obrigações sacerdotais, que, por sua natureza, implicam uma ‘graça’ em favor do peticionário".

Em resposta, o interlocutor sugeriu que essas reformas poderiam violar a capacidade de um padre para se defender contra acusações falsas e o Vaticano não adotou imediatamente o pedido do cardeal.

As cartas aparecem em um longo artigo de Dom Juan Ignacio Arrieta, vice do escritório de textos legislativos do Vaticano, sobre as alterações no código penal do Vaticano. O porta-voz do Vaticano, reverendo Federico Lombardi, disse que as cartas haviam surgido nas discussões sobre o código e que "parecia útil publicá-las agora".

No mês passado, o Vaticano disse que em breve emitiria novas orientações aos bispos explicando como disciplinar padres abusivos, inclusive mediante cooperação com as autoridades civis, quando necessário.

Durante anos, os bispos se queixaram de uma grande confusão sobre como lidar com acusações de abuso e disseram que enfrentam um processo burocrático e canônico intimidante com sobreposição de jurisdições, em Roma.

*Por Rachel Donadio

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