Reforma ética de Obama enfrenta primeiros testes

WASHINGTON - Durante a campanha, Barack Obama prometeu massacrar os demônios de Washington, barrar os lobistas de sua gestão e dar início ao que chamou em seu discurso de posse de uma nova era de responsabilidade. Mas ele não falou nada sobre as exceções.

The New York Times |

Estas exceções incluem dois indicados ao gabinete que não pagaram seus impostos e um lobista para contratos militares que armou para se tornar o oficial número dois do Pentágono. Além disso, há outros que vieram de setores de influência mesmo que não tenham trabalhado como lobistas registrados.

Obama afirmou na segunda-feira que irá apoiar "absolutamente" o ex-senador Tom Daschle, seu indicado como secretário da saúde e serviços humanos. Daschle disse não ter desculpas para seu atraso no pagamento de US$128 mil em impostos federais.

Mas o episódio já havia mostrado como, quando diante de conflitos entre a retórica da campanha e a realidade de Washington, Obama está disposto a comprometer.


Obama: discurso da posse pedia "nova era de responsabilidade" / NYT

Em seu primeiro dia no cargo, ele impôs as regras éticas possivelmente mais rígidas que qualquer presidente em tempos modernos. Desde então, ele e seus conselheiros têm tentado explicar porque elas não cobrem este ou aquele caso.

Alguns republicanos veem um padrão duplo. "Como seria se Hank Paulson tivesse entrado sem pagar seus impostos?", questionou Terry Nelson, estrategista político que trabalhou para o presidente George W. Bush e o senador John McCain, se referindo ao secretário do tesouro da gestão anterior. "Ele teria sido atacado e criticado".

Obama falou sobre recusar dinheiro de campanha de lobistas, mas recebeu de pessoas que os contratam. O plano ético que ele delineou não proíbe os lobistas, mas cria condições para que sejam empregados e não cobre muitos que eram lobistas em tudo menos no nome.

Daschle, por exemplo, não é um lobista registrado, mas fez uma boa vida aconselhando clientes que buscavam influência no governo. Obama também deu a si mesmo o direito de conceder mudanças em casos que considera excepcionais, proeminentemente no caso de William Lynn, ex-lobista da Raytheon que indicou como secretário de defesa.

Os assessores de Obama disseram que as exceções são mínimas dada a quantidade de pessoas que serão contratadas e que indicados como Lynn irão seguir as regras que impedem que trabalhem em questões diretamente relacionadas com seus antigos empregadores. As exceções, eles afirmaram, são necessárias por causa da experiência e habilidade particulares.

Por PETER BAKER

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