Reforço na fronteira aumenta debate sobre imigração

Envio de mais soldados para a divisa com o México provoca novas discussões sobre reforma imigratória nos EUA

The New York Times |

AFP
Na Califórnia, mexicanos fazem vigília por reforma nas leis de imigração (21/05)
Ao decidir enviar até 1.200 soldados da Guarda Nacional para ajudar no patrulhamento da fronteira com o México, o presidente Barack Obama falou sobre uma das questões mais espinhosas para presidentes americanos - a imigração ilegal - e confundiu aliados que dizem que ele está desperdiçando a chance de abordar o tema de forma mais ampla.

A Casa Branca afirma que o envio de tropas busca somente combater o tráfico de drogas, um problema ressaltado recentemente pelo assassinato de um fazendeiro do Arizona.

Mas qualquer medida para a segurança da fronteira invariavelmente suscita debates sobre a reforma imigratória, e na quarta-feira defensores de uma mudança no sistema questionaram as intenções do presidente.

Eles afirmaram que, ao se concentrar primeiro na segurança das fronteiras, Obama está abrindo mão de seu maior trunfo para negociar medidas políticas mais amplas para tratar da situação dos milhões de imigrantes que já estão nos Estados Unidos ilegalmente, e as necessidades de empregadores que contam com o seu trabalho.

O senador Carlos E. Schumer, democrata de Nova York que está tentando obter apoio generalizado à uma ampla legislação sobre imigração no Senado, afirmou que endurecer a segurança das fronteiras contribuirá para um esforço mais geral

No Senado, o rival de Obama na campanha presidencial de 2008, o republicano John McCain do Arizona, conduzia seus colegas a uma votação, inicialmente prevista para quarta-feira mas que depois foi adiada, sobre um projeto que visa o envio de 6 mil soldados para a fronteira.

A Casa Branca, que tem trabalhado silenciosamente nas últimas semanas em um plano para enviar as tropas, divulgou o projeto apressadamente na terça-feira para que os democratas tivessem uma alternativa, segundo um funcionário de alto escalão da gestão, que falou sob condição de anonimato.

Na quarta-feira, o procurador geral de Obama, Eric Holder, ouviu delegados policiais que se opõem à lei do Arizona. Os delegados, representando cidades como Phoenix, Tucson, Los Angeles, Houston, Filadélfia e Minneapolis, disseram a Holder que a lei irá aumentar a incidência de crimes e não diminui-la, como reivindicam seus defensores.

O projeto do Arizona colocou a imigração de volta na pauta do Congresso, mas Obama vem tendo dificuldade em persuadir os republicanos a participar do debate.

Durante comemorações do Cinco de Maio no mês passado, Obama disse à plateia formada por líderes hispânicos que ele estava determinado a aprovar a legislação, mas que não podia fazer isso sem o apoio republicano. A decisão de enviar tropas pode ser uma tentativa de obter este apoio.

Em um encontro difícil com republicanos do Senado na terça-feira, antes da Casa Branca anunciar sua decisão sobre a Guarda Nacional, McCain pressionou Obama a respeito do que ele estava fazendo para melhorar a segurança das fronteiras.

Obama não revelou seu plano de segurança nas fronteiras, mas pediu a ajuda do republicanos para aprovar as leis de imigração.

Por Sheryl Gay Stolberg

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