Reduzir as emissões de poluentes não trará melhoras imediatas, dizem cientistas

Muitas pessoas que se preocupam com o aquecimento global esperam que assim que as emissões de gases estufa sejam reduzidas, os problemas causados por eles rapidamente comecem a diminuir. Agora, pesquisadores estão dizendo que a esperança dessas pessoas não tem fundamento, ao menos no que se refere ao dióxido de carbono (CO²).

The New York Times |

Devido à forma como esse gás persiste na atmosfera e nos oceanos, e à maneira como a atmosfera e os oceanos interagem, os padrões estabelecidos em níveis de pico produzirão problemas como aumento inevitável do nível do mar e tempestades de areia como a Dust Bowl (período em que houve muitas tempestades de areia nos EUA) e seca por ao menos mil anos, relatam os pesquisadores no processo da Academia Nacional de Ciências.

Esse pico seria o mínimo ao qual estamos atados, disse Susan Solomon, cientista veterana da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, que dirigiu o trabalho.

Os pesquisadores descrevem que o que acontecerá se a concentração de CO² na atmosfera ¿ principal gás estufa emitido ¿ alcançar de 450 a 600 partes por milhão (PPM ¿ unidade de concentração de soluções), mais do que os cerca de 385 ppm atuais.

A maioria dos pesquisadores climáticos consideram 450 ppm, na prática, inevitável e 600 ppm difíceis de evitar até o meio do século se o uso dos combustíveis fósseis continuar a ser parecido com as taxas atuais.

Problemas

Aos 450 ppm, de acordo com os pesquisadores, o aumento dos mares ameaçarão muitas áreas costeiras. E o sul da Europa, a África do Norte, o sul dos Estados Unidos e o oeste da Austrália poderiam esperar uma diminuição de 10% de chuvas.

10% não parece um número alto, disse Solomon nesta segunda-feira, 26, em uma coletiva por telefone, mas é o tanto que se tem visto na maioria das secas no passado, como a Dust Bowl.

Aos 600 ppm, deve haver uma redução de 15% nas chuvas, disse.

Em 1850, com o início da industrialização, o nível de CO² na atmosfera era de 280 ppm, um nível que cientistas dizem que não foi excedido ao menos nos últimos 800 mil anos. No estudo, Solomon e seus colegas dizem que delimitaram suas estimativas com dados e efeitos.

Estudo

Por exemplo, eles basearam a estimativa do nível do mar amplamente na expansão da água do mar com o aquecimento, um cálculo relativamente justo, ao invés de incluir as contribuições o desgelo glacial e o derretimento lençóis de gelo na parte interna dos continentes ¿ mais difíceis de prever, mas potencialmente grandes contribuidores para o aumento do nível do mar.

O novo estudo tratou apenas dos efeitos do CO², que é responsável por cerca de metade do aquecimento do efeito estufa. Gases como o clorofluorcarboneto (CFC) e o metano, junto com fuligem e outros poluentes, contribuem com o restante. Essas substâncias persistem bem menos na atmosfera; se essas emissões forem reduzidas, seus efeitos declinarão relativamente rápido.

Michael Oppenheimer, geocientista de Princeton, elogia o relatório em um email chamando-o de uma discussão de forma impressionante clara e direta sobre se seria possível superar temporariamente o nível de 450 ppm e então reduzir as emissões a tempo de evitar eventos catastróficos como o colapso de lençóis de gelos maiores.

Oppenheimer disse que a nova análise mostrou que algumas consequências perigosas poderiam acontecer e persistir por muito tempo, mesmo se as emissões forem reduzidas radicalmente.

Planejadores de políticas e ações precisam entender, disse, que algumas vezes, quando estamos caindo do penhasco, não há nada que possa parar a queda.


Por CORNELIA DEAN

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