Redes sociais enfrentam dilema sobre participação de ativistas

Flickr, Twitter, Facebook e YouTube se perguntam como conciliar crescente uso para fins políticos com posição neutra da empresa

The New York Times |

Dois dias depois de usar o Flickr para publicar fotos de policiais da temida força de segurança do Egito, Hossam El-Hamalawy ficou incrédulo ao ver que elas haviam desaparecido do popular site de rede social. "Eu pensei que estava sendo hackeado", disse El-Hamalawy, um proeminente blogueiro e ativista de direitos humanos egípcio que publicou fotos da polícia encontradas em CDs que os ativistas pegaram na sede da Polícia Estadual de Segurança na cidade de Nasr.

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Egípcios pedem saída de ex-oficiais do governo de Hosni Mubarak, no Cairo. Facebook teve papel importante na revolta que levou à queda de Mubarak (1/4/2011)
Mais tarde, ele descobriu em um email do Flickr que as fotos foram removidas porque ele não havia tirado elas por si mesmo, uma violação das regras do site. "Isso é totalmente ridículo", disse ele. "O Flickr está cheio de contas em que as fotos não foram tiradas pelos próprios usuários".

O Flickr é uma das redes sociais, como Facebook, Twitter e YouTube, que estão cada vez mais sendo usadas por militantes e forças pró-democracia, especialmente no Oriente Médio e Norte da África.

Esse novo papel das redes sociais tem colocado as empresas responsáveis por elas em uma posição difícil: como acomodar seu crescente uso para fins políticos, mas manter uma posição neutra e fazer cumprir as práticas e regras que governam esses populares serviços.

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O YouTube foi uma das primeiras redes sociais a ter problemas com o conteúdo publicado por um defensor dos direitos humanos, que entrava em conflito com os seus termos de serviço. Em novembro de 2007, o site removeu vídeos que mostravam uma vítima sendo torturada pela polícia do Egito que foram sinalizados como "inadequados" por um membro da comunidade. Eles foram publicados por Wael Abbas, outro blogueiro egípcio.

Depois de um clamor público, membros da equipe do YouTube revisaram os vídeos e decidiram restaurá-lo. A empresa, pertencente ao Google, agora tem um processo próprio para lidar com tais questões.

O Facebook tem permanecido quase silencioso sobre o seu crescente papel entre ativistas no Oriente Médio, que utilizam o site para conectar grupos dissidentes, divulgar informações sobre as atividades do governo e mobilizar protestos. Mas o Facebook está sendo envolvido no conflito entre Israel e palestinos e tem sido pressionado para defender uma posição neutra e fazer valer os termos de serviço a alguns partidários de Israel, incluindo um funcionário do governo israelense.

No caso de El-Hamalawy, Ebele Okobi-Harris, diretor do programa de negócios e direitos humanos no Yahoo, empresa dona do Flickr, disse que ele ilustra os desafios de equilibrar as regras em termos de serviço para os usuários com as novas formas com que os ativistas estão usando essas ferramentas.

Okobi-Harris reconheceu que El-Hamalawy estava certo em observar que as regras da comunidade do Flickr não são aplicadas de forma consistente. Mas o caso provocou um debate interno, segundo ele, sobre se o Flickr deveria reconsiderar a sua abordagem.

"Conforme o uso dessas redes sociais evoluem, temos de começar a pensar sobre como criar regras ou a forma de aplicar essas regras, que facilitarão também o uso dessas ferramentas por parte de ativistas de direitos humanos", disse ela.

*Por Jennifer Preston

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