Redes sociais 'anteciparam' notícia sobre morte de Bin Laden

Mensagens de texto e ferramentas como o Twitter ajudaram a disseminar notícia antes mesmo de redes de TV americanas anunciarem

The New York Times |

Quando a Casa Branca anunciou abruptamente um discurso à nação do presidente Barack Obama na noite de domingo, os âncoras da CNN passaram grande parte da hora que o antecedeu falando sobre o assunto sem dizer do que realmente se tratava.

"Eu tenho meus próprios instintos sobre o que pode ser", disse o âncora da CNN Wolf Blitzer algumas vezes, acrescentando que um oficial de alto escalão da Casa Branca o tinha agradecido por demonstrar "moderação" e não especular.

Graças ao Twitter e ao Facebook, alguns observadores da CNN já tinham ouvido a notícia. Informações não confirmadas – que acabaram por ser verdade – sobre a morte de Osama Bin Laden circularam amplamente na mídia social por cerca de 20 minutos antes dos âncoras da televisão e grandes redes a cabo relatarem sobre o ataque às 22h45 (horário local), cerca de uma hora antes do discurso de Obama.

Reprodução
Página no Facebook sobre a morte de Bin Laden
Foi um outro exemplo de como as redes sociais e os meios tradicionais de comunicação abordam as mesmas notícias de diferentes formas e em diferentes velocidades. Assim como a CNN já desafiou os jornais impressos com o m fluxo constante de imagens da primeira Guerra do Golfo, o Twitter e o Facebook tornaram-se sistemas de alerta precoces para as últimas notícias – ainda que nem sempre sejam confiáveis.

O Twitter viu o maior número de publicações, com uma média de 3.440 mensagens por segundo em sua plataforma entre 22h45 e 12h30. Foram registradas mais de 5 milhões de menções ao nome Bin Laden no Facebook, apenas nos Estados Unidos, conforme a notícia do ataque se espalhava. Uma nova página foi publicada com o título Osama bin Laden Is Dead (Osama bin Laden está morto, em tradução literal) para as pessoas “curtirem” e compartilharem seus pensamentos. Ela já tinha mais de 400.000 fãs na noite de ontem. (Outra página, Osama bin Laden Is NOT Dead, ou Osama bin Laden NÃO morreu, foi criada logo em seguida.)

Disseminação

Não apenas as mensagens de texto e redes sociais ajudaram as pessoas a consumir e disseminar a notícia sobre a morte de Bin Laden, Twitter, Facebook e outros serviços de compartilhamento ajudaram as pessoas a reagirem à notícia, estimulando encontros improvisados no Marco Zero, na Times Square e diante da Casa Branca.

Isso deixou alguns jornalistas e analistas tentando contextualizar a experiência da notícia da morte de Bin Laden. "Esse foi o momento Kennedy de uma nova geração", disse Alan Fisher, correspondente da Al-Jazeera. "A minha geração vai se lembrar do 11/9 e da morte de Diana. Para os mais jovens, a morte de Osama terá essa escala de impacto global”.

Sam Dulik, 20 anos, estudante de estudos latino-americanos da Universidade Georgetown, estava escrevendo uma carta em seu dormitório quando olhou para sua página no Facebook e viu uma atualização de um amigo fazendo referência ao discurso de Obama e especulações sobre a morte de Bin Laden morte.

"A questão simplesmente tomou conta do Facebook", disse Dulik, que acompanhou em tempo real, conforme trechos da história apareciam em seu feed de notícias no Facebook. Então ele viu as chamadas convocando os estudantes a se reunirem nos portões da Casa Branca. "Pela primeira vez, em vez de apenas me informar, o Facebook me incentivou a agir", disse Dulik, que pegou uma bandeira americana e saiu.

Depois que o presidente fez o anúncio, os usuários do Instagram, um aplicativo de compartilhamento de fotos para o iPhone, inundaram o serviço de fotos do discurso de Obama, tiradas de telas de televisão e computadores portáteis. Logo, havia fotos de bandeiras americanas e das multidões que se reuniram em Nova York e Washington.

Por volta das 23h, durante a oitava rodada de um jogo de beisebol no Citizens Bank Park, na Filadélfia, gritos de "EUA! EUA!" começaram na seção perto da terceira base. Billy Wichterman, 30, portador de um bilhete da temporada, pegou seu iPhone, entrou no Twitter e descobriu por que os gritos estavam tomando conta do estádio.

Algumas outras pessoas na multidão permaneceram cautelosas. "No começo, eu estava um pouco cética, porque sei que houve coisas parecidas no passado em que os ataques aéreos não foram bem sucedidos", disse Julia Hays, 24 anos, de Pitman, Nova Jersey, que estava no jogo. "Então eu vi um monte de amigos escrevem no Twitter a respeito – que Obama estava prestes a dar uma declaração. Então, ouvi os cânticos e vi pessoas verificando seus telefones".

Referência

O que faltava nesses serviços, em grande parte, era referência original. Isso foi deixado para a mídia, em especial às poucas organizações que tinham jornalistas no Paquistão. "Nossos repórteres em Cabul falaram com chefes de segurança afegãos, que disseram que isso acontece tarde demais – agora há um Bin Laden em cada rua", disse Peter Horrocks, diretor da BBC Global News, em um email.

Dan Gillmor, autor do livro We the Media, que ensina jornalismo na Universidade Estadual do Arizona, disse que é importante manter a cautela sobre o impacto da forma como as pessoas estão consumindo notícias em tempo real, especialmente dados os relatos errôneos que aconteceram durante um outro evento noticioso recente em que muitas organizações de notícias informaram que a representante Gabrielle Giffords tinha morrido em um tiroteio em Tucson, Arizona.

"Eu acho que devemos ser cautelosos sobre o valor dessas redes", disse Gillmor. "O valor dessas redes é enorme para todos os envolvidos, inclusive os usuários. Mas acho que devemos ser cautelosos sobre entregar todas as nossas conversas a empresas privadas que estão no negócio apenas em nome de seus acionistas”.

*Por Brian Stelter e Jennifer Preston

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