Recuperação na camada de ozônio pode aumentar aquecimento global

A recuperação do buraco da camada de ozônio é considerada uma grande vitória para os ambientalistas. Mas um novo estudo científico afirma que existe pode existir um lado negativo: seu reparo pode contribuir para o aquecimento global.

The New York Times |

Acontece que o buraco causava a formação de nuvens úmidas e claras que protegiam a região antártica do aquecimento causado pelos gases de efeito estufa nas últimas duas décadas, pesquisadores afirmaram na última edição da revista Geophysical Research Letters.

A recuperação do buraco vai reverter esse fenômeno, diz Ken Carslaw, professor de ciência atmosférica na Universidade de Leeds e coautor do estudo. Em resumo, ela vai acelerar o aquecimento em determinadas partes do hemisfério sul.

O buraco na camada de ozônio, descoberto na Antártida em meados da década de 80, causou preocupação porque a camada desempenha um papel crucial na proteger os seres vivos do planeta contra a radiação ultravioleta.

Sua causa foi, em grande parte, pelo uso humano de clorofluorcarbonetos, compostos químicos usados em refrigeradores e latas aerossol que dissipam ozônio. A adoção de um protocolo internacional em 1987 fez com que muitos países abandonassem gradualmente essas substâncias, o que ajudou a camada a se reconstituir em cima da Antártida.

Para essa pesquisa, os autores do novo estudo se debruçaram sobre dados meteorológicos documentados entre 1980 e 2000, incluindo as velocidades mundiais de ventos,  registradas pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).

Os dados mostram que o buraco gerava ventos de alta velocidade que faziam com que sal marinho entrasse na atmosfera, formando nuvens mais úmidas. Essas nuvens refletem mais luz solar, o que ajudava a evitar o aquecimento na atmosfera antártica, dizem os cientistas. A dispersão de água do mar, causada por estes ventos, resultava num aumento nas gotículas de nuvens de cerca de 46% em algumas regiões do hemisfério sul, disse o Dr. Carslaw.

Mas Judith Perlwitz, professora da Universidade do Colorado e pesquisadora da NOAA (Agência Nacional Atmosférica e Oceânica dos EUA) diz questionar os resultados do estudo, embora os dados empregados pareçam sólidos.

Mesmo com a recuperação da camada de ozônio, espera-se que as emissões de gases de efeito estufa aumentem, ela disse. Assim, a professora prevê que o aumento na temperatura deva causar os ventos a aumentar sua velocidade e ter o mesmo efeito formador de nuvens que o buraco hoje tem. A questão é ver se o vento está mais lento, o que eu duvido, disse.

O futuro não é determinado apenas pela recuperação da camada de ozônio, afirma. Nós também estamos aumentando nosso uso de gases de efeito estufa, o que aumenta a velocidade do vento ao longo do ano. 

A professora também ressaltou que o buraco na camada de ozônio não deve se recuperar completamente antes de 2060, segundo o relatório mais recente da Organização Metereológica Mundial.

Leia mais sobre: Aquecimento Global

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG