Recuperação de vítima de tiroteio mostra caminho para deputada

O estudante americano Mark Steinhubl foi atingido em 2009 no crânio, logo acima do olho direito, e teve memórias apagadas

The New York Times |

Mark Steinhubl não se lembra de ter sido baleado. A bala entrou em seu crânio logo acima do olho direito e atravessou o seu cérebro. O ferimento apagou algumas memórias.

The New York Times
Mark Steinhubl, 20 anos, foi atingido por um tiro na cabeça, em 2009
Ele acordou em uma sala cheia de luzes brancas e máquinas que emitiam sinais sonoros, com sua cabeça enfaixada. Seus pais estavam lá. Médicos e enfermeiras entravam e saíam por uma porta, pedindo-lhe para levantar os dedos ou seguir uma lanterna com seus olhos.

Poucas pessoas entendem o que a congressista Gabrielle Giffords do Arizona enfrentará durante sua reabilitação no hospital Memorial Hermann, em Houston, mas Steinhubl, um estudante universitário de 20 anos de idade, é uma delas.

Dois anos atrás, ele sofreu um calvário semelhante ao de Giffords – uma bala danificou metade do seu cérebro, houve acúmulo mortal de fluído espinhal e a remoção de um pedaço de seu crânio por cirurgiões para aliviar a pressão. Ele também passou pelo mesmo programa, no Instituto de Reabilitação e Pesquisa, que Giffords deverá seguir.

Cedo na manhã do dia 4 de janeiro de 2009, no último dia das férias de Natal, Steinhubl foi baleado na cabeça na casa de um amigo. Ele se recusa a falar sobre o tiroteio, mas registros judiciais mostram que a pessoa que atirou era um colega dele também no último ano em uma Escola de Ensino Médio em Houston.

Steinhubl foi levado de ambulância ao Hospital Geral Ben Taub, em Houston. Ele passou por quatro grandes operações. Ele perdeu a visão no olho direito e a audição no ouvido direito. Quatro semanas mais tarde, paralisado no seu lado esquerdo, ele foi levado para o instituto de reabilitação.

Giffords, que permanece no centro de cuidados intensivos no Centro de Médico Memorial Hermann-Texas, deve ser transferida para o instituto assim que sua saúde melhorar. No domingo, os médicos disseram que ela corria o risco de permanecer no centro de cuidados intensivos até pelo menos o fim da semana por causa de um ligeiro acúmulo de líquido no cérebro depois que ela foi levada de Tucson para Houston.

A congressista tem um cateter de drenagem do líquido de seu crânio, e ele deve ser removido ou substituído por uma solução mais permanente antes que ela possa ser transferida. "Nós apenas temos de esperar e ver se o problema do acúmulo de líquidos se resolve", disse o Dr. John Holcomb, cirurgião de trauma e coronel aposentado do Exército.

Adaptação

Atualmente, Steinhubl é aluno do segundo ano na universidade Texas A & M, e vive em seu próprio apartamento. Ele se adaptou a ser surdo de um ouvido e à perda do olho, mas ainda não recuperou a plena utilização da mão esquerda.

Steinhubl disse que ainda tem de decidir o que irá fazer com sua vida. Mas está vivo, ressalta. "Eu sei que há um plano para eu estar aqui, porque Deus decidiu me deixar ficar", disse ele. "Deve haver uma razão".

*Por James C. Mckinley Jr

    Leia tudo sobre: arizonatucsoneuagabrielle giffordsMark Steinhubl

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG