Recrutar estudantes estrangeiros é um grande negócio para universidades

BOSTON ¿ Como muitas universidades, a Northeastern tem a Barnes & Noble gerenciando suas livrarias, e Pizza Hut, Wendys, Starbucks e Taco Bell vendendo comida a seus estudantes.

The New York Times |

Mas a Northeastern está terceirizando um grande passo a frente.

Em uma incomum parceria que começou no último outono, a universidade está usando a Kaplan Inc., uma lucrativa companhia de educação, para encontrar estudantes para programas acadêmicos onde estudantes estrangeiros passam um ano no campus, aprimorando o inglês e a adequando-se ao sistema educacional americano, antes de ingressarem em algum programa de graduação Northeastern.

Apesar da Northeastern ser a primeira universidade americana a fechar essa parceria, o modelo já é comum na Inglaterra e está recebendo atenção nos Estados Unidos. Alguns críticos estão preocupados que, caso os parcerias tornem-se popular, a busca por estudantes estrangeiros lucrativos pode minar os padrões acadêmicos. Se a motivação do programa for o lucro, poderão ser admitidos estudantes sem qualificações e usados instrutores mal remunerados e mal treinados.

De alguma maneira, esses programas que trazem estudantes estrangeiros para um ano introdutório são como trazer crianças do interior, mas ninguém faz isso para obter lucro, disse Philip G. Altbach, especialista em educação do Boston College. Eu me pergunto o que acontecerá com os valores acadêmicos em todos esses esforços direcionados ao mercado.


Nos últimos anos, estudantes estrangeiros, que geralmente pagam o valor integral, se tornaram um bom negócio para as universidades americanas e de todo o mundo. Kaplan, um subsidiária do The Washington Post Co., é conhecida nos EUA por seus testes preparatórios. Mas a companhia tem grandes operações educacionais internacionais, incluindo o ensino de inglês como segunda língua, com uma rede internacional de agentes. 

O presidente da Northeastern, Joseph E. Auon, se comprometeu em transformar a universidade em uma instituição internacional. Funcionários da universidade dizem que o programa com a Kaplan, conhecido como Global Pathways (Caminhos Globais, em tradução literal), permite que tenham certeza que os estudantes internacionais são adequadamente preparados antes de ingressarem em um curso de graduação, o que pode ser difícil de certificar em uma transcrição estrangeira. 

Patrick Plunkett, diretor executivo para iniciativas internacionais, disse que para assegurar a integridade acadêmica, seria preciso que os funcionários da Northeastern dessem as aulas, ao invés de entregar para os professores da Kaplan, como a companhia propôs, e é como isso acontece em programas similares nas universidades britânicas.

O valor do programa é que aqui o aluno está comprometido com a universidade antes de entrar em um programa de graduação, disse. A universidade cuida do ensino, do currículo e da admissão. Mas todo o resto é com a Kaplan.

Nós somos ótimos com o ensino e o aprendizado, mas a Kaplan tem mais experiência nos outros serviços, disse Christopher E. Hopey, vice-presidente da Northeastern.

Serviços

A Kaplan comercializa o programa ao redor do mundo e recruta os alunos, guiada por critérios explícitos de admissão baseados no sistema de educação do país de origem dos estudantes, disseram funcionários da Northeastern. Funcionários da Kaplan encontram os estudantes no aeroporto, auxiliam na acomodação ¿ geralmente com famílias americanas ¿ conecta os alunos com voluntários e organizam festas e excursões para jogos do Boston Celtics games.

Nem a Northeastern nem a Kaplan conversam sobre os arranjos financeiros; estudantes do programa pagam por volta de U$18 mil por ano extra de estudo. 

A maioria dos estudantes este ano é da China e da Coréia. Plunkett disse que a universidade está satisfeita com seu valor. Estudantes que completaram com sucesso o programa estão com a admissão na graduação garantida. A maioria dos estudantes está se preparando para programas de mestrado em negócios, engenharia ou ciência da computação. 

Por TAMAR LEWIN

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