Recessão prejudica aposta de Chicago por Olimpíada de 2016

CHICAGO - Em uma tarde recente, o prefeito de Chicago, Richard M. Daley, fez seu discurso anual sobre a situação da cidade que ele comanda a mais de 20 anos. A renda pode ser de US$ 250 milhões a menos. Alguns trabalhadores públicos terão que tirar 15 dias de férias não pagas este ano, inclusive Daley. Mais de 400 trabalhadores foram demitidos naquela mesma tarde, depois que as negociações com dois sindicatos não deram em nada.

The New York Times |

No mesmo endereço, Daley pressionou pelos esforços da cidade em sediar os Jogos Olímpicos de 2016 que devem custar cerca de US$ 3,3 bilhões. A decisão do Comitê Olímpico Internacional deve ser anunciada em outubro e Chicago é considerada a favorita das quatro finalistas.

Pesquisas locais sugerem amplo apoio para que os Jogos Olímpicos aconteçam na cidade. Mas cada vez mais, a crise econômica representa um papel central no debate sobre a disputa pela sede, conforme mais moradores passam a temer que os contribuintes de Chicago, que já têm muitas dificuldades, possam ter que pagar a conta apesar das alegações dos organizadores de que nenhum dólar da cidade será necessário.

"Como nós sabemos disso?", o morador Douglas Brown questionou de líderes do Comitê Olímpico da cidade durante um encontro em seu bairro no Lado de Sul.

"Nós não podemos aceitar apenas sua palavra a respeito disso", disse Brown, acrescentando: "Quando receberemos garantias para possamos dormir à noite?"

Questionado sobre as dificuldades de sediar uma Olimpíada durante uma recessão, Lori Healey, presidente do Comitê Chicago 2016, disse: "Eu acho que é fácil. As pessoas têm fome de empregos e oportunidades."

Se o Comitê Olímpico Internacional escolher Chicago e não Madrid, Rio de Janeiro ou Tóquio no dia 2 de outubro, os defensores acreditam que os jogos não só empatariam mas gerariam lucros, mais que US$ 22 bilhões em impacto econômico indireto para a cidade e criariam US$ 1 bilhão em novos impostos. Os organizadores dizem que o apoio financeiro privado se acumula, com US$ 60 milhões arrecadados até então para a campanha e nenhum dólar municipal envolvido.

Disso, no entanto, os moradores de Chicago parecem desconfiados. "Todos projetam que vamos ganhar muito dinheiro", afirmou o morador da cidade Robin Kaufman a planejadores dos Jogos Olímpicos presentes em uma reunião de bairro. "Mas os banqueiros também projetavam ganhar muito dinheiro. Bernie Madoff previa ganhar muito dinheiro."

Kaufman segurava um cartaz que dizia: "Nenhum cheque em branco".

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