Recessão faz pouco para reduzir imigração mundial

Apesar da crise, imigrantes enviaram no ano passado mais dinheiro para seus países natais do que os pesquisadores previam

The New York Times |

O mundo pode estar passando pela pior crise econômica em 70 anos, mas a imigração internacional, uma força cada vez maior, mostra poucos sinais de desaceleração. Globalmente, o número de imigrantes parece não ter esmorecido e, no ano passado, eles enviaram mais dinheiro para casa do que os pesquisadores previam.

Muitos imigrantes perderam empregos, mas poucos decidiram voltar para casa, mesmo quando houve ofertas para que os custos da viagem fossem pagos por terceiros. Em alguns locais, a procura por mão de obra estrangeira cresceu.

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Migrantes participam em aula de controle de estresse em escritório do governo em Manila, Filipinas (12/04/2010)

Do governo do Arizona à Calábria, críticos alertam que fronteiras porosas prejudicam os trabalhadores nativos, ameaçam as culturas locais e aumentam a criminalidade. Mas mesmo uma crise de rara magnitude fez menos do que se esperava para desacelerar o fluxo imigratório, revelando em vez disso as poderosas forças que fazem com que imigrantes continuem a se aventurar no estrangeiro.

Talvez nenhum lugar mostre mais a atração da imigração do que as Filipinas, uma nação de quase 100 milhões de pessoas, onde um quarto da força de trabalho atua no exterior. Apesar da crise econômica mundial, o país teve recordes de trabalhadores que partiram para outros países e das somas que enviam para casa.

A crise financeira acontece em uma era de mobilidade que distribui trabalhadores pelo globo. Certamente, a crise atingiu os imigrantes de maneira quase sempre desproporcional. Um relatório do Instituto de Política Imigratória descobriu que, nos últimos três anos, o desemprego aumentou quase 4,7% entre americanos nativos, mas 9,1% entre imigrantes do México e América Central.

Mas, com poucas exceções, os tempos difíceis não fizeram com que os imigrantes voltassem para casa. Espanha, Japão e a República Checa tentaram pagar para que os trabalhadores estrangeiros fossem embora, mas poucos aceitaram a oferta.

Do mesmo modo, o número de mexicanos a deixar os Estados Unidos não tem aumentado, disse Jeffrey S. Passel, do Centro Pew Hispânico. Enquanto a economia e fronteiras mais rígidas têm reduzido novas chegadas, ele disse, a população total de imigrantes mexicanos permanece inalterada.

Hania Zlotnik, diretora da Divisão de População da ONU, disse: "Em todo o mundo, a crise desacelerou o crescimento da imigração, mas o número de imigrantes continua a aumentar."

Há muitos motivos para isso. Alguns países que "recebem" imigrantes escaparam de uma profunda recessão, especialmente no Oriente Médio. Alguns países que "enviam" imigrantes foram gravemente atingidos pela crise, dando mais um motivo para aqueles que querem partir.

Mesmo em economias ruins, os imigrantes costumam fazer trabalhos que os locais não querem, como colheitas ou a limpeza de banheiros. E muitos imigrantes mudam por motivos econômicos, para viver com cônjuges ou pais. Isso ajuda a explicar por que a imigração, depois de estabelecida, é difícil de ser revertida.

Imigrantes do mundo em desenvolvimento enviaram cerca de US$ 316 bilhões para casa no ano passado, de acordo com o Banco Mundial. O valor é 6% menor ao do ano anterior, mas mais do que o banco previa, e US$ 80 bilhões a mais do que os imigrantes enviaram em 2006.

Apesar da crise, a movimentação anual de trabalhadores aumentou um terço nos últimos dois anos, chegando a 1,4 milhão. Os valores que enviam para casa aumentaram 19%, chegando a US$ 19,4 bilhões, segundo o Banco Mundial.

* Por Jason DeParle

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