Rebelião cerca região de Lewere no Sudão

Apesar de acordo para paz, área montanhosa de Nuba tem jovens mobilizados em milícias e bombardeios que atemorizam população

The New York Times |

Crianças com ferimentos causados por estilhaços foram colocadas em berços de metal no hospital de Lewere. Milhares de outras pessoas foram largadas em cavernas e leitos de rios pedregosos, fugindo dos aviões de combate e bombardeiros que rondam os céus. As aldeias estão vazias, os campos deixaram de ser cultivados. Ao menor barulho de um avião, as pessoas partem para o mato, em pânico.

Apesar de um acordo assinado há poucos dias para trazer a paz à região central do Sudão, ela parece estar caindo inexoravelmente em guerra.

Jovens nas montanhas de Nuba estão sendo mobilizados em milícias, marchando para as montanhas para treinar. Todos os carros nesta área foram cobertos de lama como camuflagem daquilo que os moradores descrevem como bombardeios implacáveis.

E as forças da oposição prometem pressionar sua luta até que ganhem alguma forma de autonomia. "Vai ser uma longa guerra", disse Ahmed Zakaria, um médico das montanhas de Nuba, que recentemente deixou o emprego para se tornar um lutador da oposição.

O conflito está ofuscando um dos maiores eventos na história da nação: a independência da parte sul do país que criou duas nações. No dia 9 de julho, o sul do Sudão irá oficialmente romper com a norte, o resultado de décadas de guerra civil e anos de negociações internacionais para evitar mais derramamento de sangue.

Mas os combates nas montanhas de Nuba, que fica no norte do país, destacam quão fraturado ficará o Sudão. As mesmas exigências sendo defendidas por combatentes da oposição tem alimentado conflitos que atingem outras partes do norte do Sudão, onde o governo está determinado a manter um punho firme em um país em que diversos grupos clamam por seus direitos.

O governo do norte tem acumulado tanques, lançadores de foguetes, artilharia e milhares de soldados e milicianos aliados, seja para pressionar os líderes em Nuba a abandonar as armas ou se preparar para uma grande ofensiva, uma vez que as chuvas pararem em poucos meses.

Oposição

Enquanto as encostas estão escorregadias e lamacentas, o governo não pode fazer nada além de bombardear. Mas funcionários do governo dizem que sua luta é apenas com combatentes da oposição, não com civis.

"O governo está tentando controlar e cuidar das pessoas para garantir a paz e a segurança e conseguir derrotar e remover todos os vestígios de rebeldes da região", disse Rabie A. Atti, porta-voz do governo. "Nós não estamos contra o povo."

*Por Jeffrey Gettleman

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