Rebeldes tomam depósitos e se apropriam de mísseis antiaéreos na Líbia

Vazamento recente gera preocupações de que armamentos e munições se tornem acessíveis nos mercados negros

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Cinco meses após o levante armado ter irrompido na Líbia, um novo grupo de mísseis antiaéreos portáteis - armas que os governos temem poder cair nas mãos de terroristas e, em seguida, atingir aviões civis - foi capturado por rebeldes em armazéns e bunkers.

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Rebelde líbio carrega um SA-7 soviético em El Ga’a
Em fevereiro, nos primeiros estágios da revolta, um grande número de mísseis caiu das mãos do governo de Muamar Kadaki conforme os rebeldes estabeleceram controle sobre o leste da Líbia e depósitos de munição da região. O vazamento voltou a acontecer recentemente com ganhos rebelde nas montanhas ocidentais, que também têm depósitos de munição.

O novo vazamento dos mísseis, que são do mesmo tipo que oficiais de outras nações africanas disseram já terem sido contrabandeados através das fronteiras da Líbia, ressalta a fragilidade organizacional das forças de oposição a Kadafi, mas também gera preocupações de que se depósitos podem ser alcançados pelos rebeldes as armas podem se tornar acessíveis nos mercados negros.

Sinais do desvio são facilmente visíveis em El Ga’a, em um depósito de munição capturado no mês passado das forças Kadafi, após repetidos bombardeamentos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Em um dia recente, 43 caixotes de madeira vazias, longas, finas e pintadas em verde escuro, haviam sido deixados para trás na areia na entrada.

As marcas gravadas na caixa informavam que ela continha um par de mísseis leves chamados SA-7 - as primeiras versões soviéticas da mesma classe de arma que é conhecida nos EUA como Stingers, que foram usadas por combatentes afegãos contra os soviéticos no Afeganistão. Não ficou claro quem roubou as armas. Os rebeldes geralmente culpam os combatentes de Kadafi e informam a oposição incorretamente.

Governo

Durante mais de quatro décadas no poder, o governo de Kadafi adquiriu cerca de 20 mil desses mísseis.

Muitos podem ter permanecido sob custódia dos militares de Kadafi, segundo oficiais dos EUA, e outros foram usados no conflito, o que significa que o número atual é provavelmente muito menor do que o estoque original.

Autoridades americanas e analistas de segurança ocidentais disseram que há preocupações graves que uma vez que as armas herdadas pelos rebeldes cheguem às mãos de contrabandistas e oportunistas eles possam encontrar potenciais compradores.

Andrew J. Shapiro, secretário de Estado adjunto para Assuntos Político-Militares, descreveu a falta de segurança em torno dos mísseis como "uma das coisas que me mantêm acordado à noite”.

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Depósito de armamentos e munição tomado por rebeldes opositores a Kadafi, em El Ga’a

*Por C. J. Chivers

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