Rebeldes líbios têm escritório da UE em reduto opositor, mas carecem de apoio

Desesperados por reconhecimento e ajuda financeira, opositores trabalham para esclarecer dúvidas e prometem recompensas a aliados

The New York Times |

Catherine Ashton, chefe de política externa da União Europeia, visitou Benghazi no fim de semana, oferecendo apoio e confiança aos adversários de Muamar Kadafi, que disseram que a visita evidencia o crescente reconhecimento internacional de sua causa. Mas o fato de Ashton, que viajou ao reduto rebelde para abrir oficialmente um escritório diplomático da União Europeia no local, não ter sido capaz de oferecer qualquer tipo de reconhecimento formal ao corpo administrativo dos rebeldes, o Conselho Nacional de Transição, não pareceu incomodá-los.

O reconhecimento, ela ressaltou, está a cargo dos 27 países do bloco, mas ela disse que a Europa reconheceu o município como um "interlocutor". "Essas são as pessoas com quem temos um forte diálogo", disse ela. "É o povo da Líbia para determinar o futuro do país".

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Rebeldes líbios durante funeral do colega Ahmed Lagha, em Benghazi
Enquanto isso, aviões da Otan atacaram outro navio de guerra da Líbia na madrugada de domingo, como parte de uma série de ataques aéreos durante a noite que também bombardearam dois tanques na Líbia ocidental e um quartel administrativo que as autoridades militares disseram que estava sendo utilizado como local de comando e controle do fogo direto contra civis.

O bombardeio do navio, um barco de patrulha de mísseis da Líbia no porto de Surt, veio dois dias depois que aviões aliados atingiram oito navios líbios em três portos, incluindo Surt, que os comandantes aliados disseram estar ameaçando os esforços de ajuda humanitária, bem como os navios da Otan que reforçam um embargo marítimo contra o governo de Kadafi.

Nas últimas três semanas, embarcações líbias atacaram o porto da cidade de Misrata, e duas vezes enviaram ao local embarcações infláveis pequenas carregadas de explosivos em um aparente esforço para atacar navios de guerra aliados.

O clima de tempestade sobre o sul do Mar Mediterrâneo e da costa da Líbia prejudicaram a campanha aérea na tarde de sábado e madrugada de domingo, forçando a Otan a cancelar alguns ataques a alvos pré-determinados e diminuindo a capacidade dos pilotos de confirmar se outros alvos suspeitos se tratavam de equipamentos militares ou armamentos da Líbia.

Apoio

Os rebeldes, desesperados por reconhecimento externo e o apoio financeiro que esperam vir com ele, foram reconhecidos por alguns países, incluindo França, Itália, Catar, Gâmbia e Ilhas Maldivas. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, apesar de não reconhecerem os rebeldes, enviaram emissários para Benghazi.

Buscando uma longa lista de aliados, os rebeldes têm trabalhado para diminuir dúvidas sobre o seu movimento: no sábado, por exemplo, eles detalharam aos jornalistas os esforços que estão fazendo para treinar combatentes rebeldes para tratar os prisioneiros de guerra com humanidade.

E embora ainda não esteja claro quem vai liderar a Líbia se Kadafi deixar o poder, os líderes rebeldes prometeram recompensas para os aliados. Mustapha Abdul Jalil, que dirige o conselho rebelde, afirmou que países amigos "terão melhores oportunidade em futuros contratos", informou a Associated Press. "Os Estados Unidos e a União Europeia devem saber que nós somos pessoas justas", disse Jalil. "Estamos lutando por um futuro melhor, e esses países não vão se arrepender de nos ajudar".

Falando em uma coletiva de imprensa lotada no Hotel Tibesti, em Benghazi, onde a delegação da União Europeia estava hospedada, Ashton elogiou os rebeldes e disse que o novo escritório representa o empenho e apoio dos Estados-membros do bloco.

"Estamos aqui e iremos permanecer por um longo prazo", disse Ashton, que foi duramente criticada no início deste ano pelo que foi visto como o seu lento abraço dos revolucionários árabes no Egito e na Tunísia. "Kadafi deve sair e precisamos ter um futuro para a Líbia que pertença ao povo da Líbia".

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Garoto pinta bandeira líbia pré-Kadafi em base da oposição em Benghazi
*Por Kareem Fahim

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