Rebeldes líbios enfrentam desafio de conseguir manter união

Apesar do avanço na capital Trípoli, oposição a Muamar Kadafi vive em meio a incertezas sobre coesão, futuro e liderança

The New York Times |

Com os rebeldes líbios à beira de acabar com o longo reinado de Muamar Kadafi, o caráter do movimento está enfrentando seu primeiro teste real: Será que eles conseguirão construir um novo governo de união e reconciliação, ou será que suas rivalidades internas criarão divisões profundas na nova Líbia?

Seis meses após a revolta eclodir, a liderança cotidiana do movimento contra Kadafi permanece uma pergunta sem resposta, sem que ninguém apareça como líder indiscutível da rebelião. Mesmo a luta comum contra Kadafi nunca mascarou as divisões latentes entre o leste e o oeste, entre líderes políticos e as milícias rebeldes, e, dizem alguns, entre liberais públicos e os islâmicos entre os rebeldes.

NYT
Rebeldes líbios se preparam para entrar no complexo de Kadafi, em Trípoli (23/8)
Os rebeldes das montanhas ocidentais que invadiram Trípoli na noite de domingo muitas vezes reviram os olhos ao falar de sua liderança política ostensiva, o Conselho Nacional de Transição, que se baseia na cidade oriental de Benghazi.

Muitos se queixam de que seus líderes nacionais não oferecem apoio suficiente, mesmo depois de os governos ocidentais começarem a permitir seu acesso aos bens congelados do governo de Kadafi.

Autoridades dos Estados Unidos e da Europa afirmaram na segunda-feira que têm trabalhado para fomentar a coesão entre os rebeldes e evitar uma repetição da luta sectária que tomou conta do Iraque em 2003 após a invasão americana.

As autoridades disseram acreditar que um dos motivos de Trípoli cair tão rapidamente foi o fato de que grupos rebeldes importantes se uniram e criaram uma estratégia coesa para invadir o último reduto de Kadafi.

Líderes rebeldes dizem ter trabalhado durante meses para tentar pavimentar o caminho para uma união nacional, inclusive dentro de seus próprios grupos.

No início do Ramadã, por exemplo, o presidente do Conselho Nacional de Transição, Mustafa Abdul-Jalil, voou em um avião fretado para as montanhas ocidentais - depois de receber permissão da Otan para violar a sua zona de exclusão aérea - para que pudesse entregar ajuda financeira a famílias carentes para a temporada de feriados santos.

O conselho rebelde inclui representantes de todo o país. Eles se comprometeram desde o início a manter a capital da Líbia em Trípoli, no oeste do país, e não em Benghazi, no leste, centro rival de poder durante o governo de Kadafi.

E, apesar de reclamações, os líderes rebeldes locais e nacionais têm, por vezes, agido em estreita coordenação. Quando os rebeldes começaram a se levantar em Trípoli no domingo, dois oficiais de Benghazi se reuniram em Túnis, capital da Tunísia, com um líder das montanhas ocidentais para controlar as ações em conjunto.

*Por David D. Kirkpatrick e Steven Lee Myers

    Leia tudo sobre: otanlíbiaconfrontosmuamar kadafirebeldes

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG