Rebeldes líbios anseiam por queda de Kadafi, mas temem massacre

Comprometida e desorganizada, força opositora se preocupa com milícias líbias e mercenários estrangeiros do lado do governo

The New York Times |

Opositores de Muamar Kadafi tomaram uma antiga estação de rádio estadual na quarta-feira e a rebatizaram de Líbia Livre, um nome simbólico que pretendem manter.

Posicionados diante dos portões eles guardavam sua posição armados com metralhadoras e com cintos de munição pendurados nos ombros. Não muito longe dali, outros homens armados guardavam o aeroporto e em toda a metade rebelde oriental do país, manifestantes montaram postos de controle e ergueram a antiga bandeira da Líbia.

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Armas de militares que caíram em mãos civis chegam a opositores ao regime de Kadafi, em Benghazi
Mas na estação de rádio, Hamdi Zaidy, ex-embaixador da Líbia na Nigéria, que se juntou aos manifestantes opositores, pediu que todas os diálogos sobre o estado do país fossem realizadas fora do edifício. "Kadafi pode bombardear o prédio a qualquer momento", disse Zaidy, que estava armado com uma pequena pistola italiana. Um dos guardas era um estudante de medicina. Zaidy disse não ter certeza se o aluno saberia usar sua metralhadora.

Comprometida, mas desorganizada, e sem armamento suficiente para enfrentar o poder de um Estado, a força rebelde da Líbia aguardava ansiosamente a queda de Kadafi, com os dedos cruzados, esperando que seus concidadãos – e, especialmente, os pilotos da força aérea de Kadafi – ficassem do seu lado.

Embora todas as cidades ao longo da costa leste da Líbia aparentemente estivessem controladas pelos opositores de Kadafi, apoiados por soldados e policiais desertores, esse controle parecia fraco e em grande parte sujeito aos caprichos das temidas milícias e mercenários, junto com helicópteros e aviões de combate.

Juntamente com esse medo está a determinação de vencer, mesmo porque para muitos dos manifestantes a incapacidade de eliminar Kadafi significaria a morte.

Outros decidiram que seria melhor partir, e minivans cheias continuaram deixando as cidades em direção à fronteira na quarta-feira. O comboio passava diante de grupos à espera de gás de cozinha em Al Baida e filas em postos de gasolina perto da cidade costeira de Darnah.

Rumores circularam sobre a escala do massacre na capital Trípoli, que pode ter custado a vida de centenas de pessoas.

Feridos

Duas pessoas que conversaram com parentes em Trípoli disseram que as forças de segurança estão presentes nos hospitais a fim de prender os manifestantes feridos.

Mustafa Mohamed Abd Al-Jalil, que recentemente deixou seu cargo como ministro de Justiça do governo e se juntou ao protesto, disse que diversas unidades das forças de segurança lideradas por três dos filhos de Kadafi, ainda estavam posicionadas ao redor de Trípoli.

Al-Jalil, que foi nomeado para o cargo pelo filho de Kadafi Saif al-Islam, em 2007, disse que há rumores de desentendimentos entre os filhos, mas nenhum rompimento sério.

Ele disse que mercenários foram presos no leste da Líbia desde o início do levante, muitos dos quais vindos do Chade e do Níger, e que a maioria deles tinha sido enforcada. Para ele, Kadafi está enfraquecido e há pouca chance de que sobreviverá. "Se Trípoli cair, ele se matará", disse Jalil. "Ou as pessoas próximas a ele, talvez um de seus filhos, vão matá-lo”.

*Por Kareem Fahim

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