Reabilitação do uso de drogas funciona mesmo?

ROSEBURG, Oregon - Seu primeiro amor pode ser rum ou vodca ou gin e suco que passam de mão em mão em volta de uma fogueira. Ou talvez o fumo, a potente maconha que cresce nos campos da região como musgo em pedra úmida.

The New York Times |

Mas isso não importa. Aqui, como em todo o país, alguns usuários começam cedo, caem rapidamente e em sua avidez engolem, cheiram e injetam o que aparecer pela frente, de crystal meth a remédios de prescrição, heroína e ecstasy. Por isso, o tratamento, quando existe, pode parecer uma piada.

"Depois das primeiras vezes que eu passei por uma reabilitação, eles basicamente me disseram que não podiam fazer nada para me ajudar", disse Angella, uma jovem de 17 anos da cidade de Bend, que no primeiro ano do colegial começou a beber diariamente, fumar maconha e experimentar todos os tipos de drogas pesadas. "Eles olharam para mim e disseram 'Acho que não tem solução'".

Ela tentou os programas de internação voluntária duas vezes, vivendo longe de casa por três meses cada vez. Neste tempo, ela aprendeu quão perigoso o vício era, quanta dor causava às pessoas a sua volta.  Ela fortaleceu seu relacionamento com seus avós, com quem mora. Durante dois meses permaneceu limpa.

"Depois eu voltei a fazer tudo de novo", disse Angella. "Depois de um tempo, sabe, você começa a sentir falta de seus amigos".


Tratamentos de reabilitação parecem fadados ao fracasso / NYT

Todos os anos os governos federal e estadual gastam mais de US$15 bilhões, e as companhias de saúde pelo menos US$5 bilhões, no tratamento do abuso de substâncias tóxicas para 4 milhões de pessoas. Essa quantidade em breve pode aumentar muito: no ano passado, o Congresso aprovou a lei de paridade da saúde mental, que pela primeira vez exige que o tratamento de vícios seja o mesmo de doenças mentais.

Muitas clínicas de todo o país têm listas de espera e pesquisadores estimam que cerca de 20 milhões de americanos se beneficiariam de tratamentos que não conseguem ter.

Ainda assim, poucos programas de reabilitação mostram evidências de efetividade.

Nos últimos anos governos estaduais, que cobrem grande parte dos gastos com tratamentos de vícios, se tornaram cada vez mais preocupados em responsabilizar os programas pelo que conquistam.

Por BENEDICT CAREY

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