'Rave da comida' ganha popularidade nos Estados Unidos

Feiras 'alternativas' de alimentos dão a chefs de cozinha oportunidade de mostrar talento e ganhar dinheiro

The New York Times |

Além do surfe em ondas gigantescas e ultramaratonas em alta altitude, comer em São Francisco também é um esporte radical.

Talvez isso explique porque, na noite de um sábado recente, Tipay Corpuz, 21, um especialista em tecnologia da Apple, deixou de blogar sobre sua obsessão por frango frito e waffles para se juntar a cerca de 2,5 mil "geeks" de comida no Underground Night Market.

Neste evento quase clandestino que ocorre mensalmente, um grupo de jovens chefs, fornecedores e seus seguidores de estômago de ferro transformam o tradicional mercado em uma "rave indie".

À meia-noite, o cheiro de carne de porco frita tomava conta do distrito de Mission. Havia música ao vivo, bebidas alcoólicas, seguranças e uma fila de centenas de pessoas esperando para experimentar iguarias feitas no local, entre elas mochi bacon (uma pasta de arroz japonesa reinventada pelos americanos) e sorvete feito de beterraba, Guinness e bolo de chocolate.

De certa forma, trata-se de uma espécie de desobediência civil servida em um prato de papel.

O mercado noturno procura incentivar o espírito empresarial, ajudando os jovens a evitar os cerca de US$1,000 normalmente necessários em taxas anuais – incluindo as permissões sanitárias e de responsabilidade civil – exigidas pelos mercados locais.

Em São Francisco, onde a rave dos alimentos nasceu e foi batizada de “crave” (que significa desejo em inglês), os organizadores da feira evitam as inspeções sanitárias atuando como um clube privado, exigindo que os participantes se tornem "membros" (gratuitamente) e assinem uma declaração que salienta que a refeição que estão prestes a comer pode não ter sido preparada em um espaço inspecionado pela prefeitura.

Alimentado por retweets e blogs, o evento tem gerado uma série de imitações de Altadena, perto de Los Angeles, a Atlanta, na Georgia, onde cerca de mil pessoas se juntaram ao grupo que se encontra mensalmente numa “crave” – e onde Tim Ho, um jovem cozinheiro taiwanês-americano vende sua salada de frutos do mar como a mais crocante do país.

Há versões similares em Londres e Amsterdã.

Alguns veem o crescimento deste tipo de mercado como parte de uma revigoração na consciência da Nação Fast Food, com uma geração que sente apenas antipatia pela máquina industrial de alimentos. Nas craves existe uma certa arte autoexpressiva ligada à necessidade de se alimentar.

"Elas conectam o movimento ‘faça você mesmo’ com o locavore", disse Maya Robinson, uma contadora que trabalha no Tesouro dos Estados Unidos e que fundou o Grey DC, uma rave de alimentos em Washington, com base na ideia de San Francisco. "Essa mistura é que é tão emocionante”.

Por Patricia Leigh Brown

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