Rádio russa se envolve em controvérsia após crítica a Putin

Editor-chefe de rádio conhecida por ser crítica ao Kremlin é forçado a abandonar painel de diretores da emissora

The New York Times |

O editor-chefe de uma influente estação de rádio russa foi recentemente repreendido pelo primeiro-ministro Vladimir Putin por fazer uma crítica ao Kremlin. Depois do incidente, foi forçado a abandonar o painel de diretores da emissora  quando seus donos, que são do governo, anunciaram mudanças no número de membros do conselho, incluindo a remoção dos seus dois únicos membros independentes.

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AP
Premiê russo Vladimir Putin durante encontro com partidários em Moscou

O editor, Alexei Venediktov, disse que vai permanecer no comando da redação da rádio Ekho Moskvy, mas afirmou que não faria mais parte dos nove membros que compõem o painel da sua diretoria. As autoridades disseram que não houve política envolvida na decisão, mas o ocorrido na estação, que é controlada pela empresa russa que monopoliza o gás natural estatal, a Gazprom, no entanto, fez com que o mundo jornalistico do país entrasse em pânico.

"Sem dúvida é um sinal", disse Venediktov na Ekho Moskvy. "Eu não vejo nada de catastrófico nisso, mas é desagradável e eu certamente vejo isso como uma tentativa de manipularem a política editorial da rádio."

Embora as implicações não sejam tão claras, a decisão pareceu sinalizar que as autoridades iriam continuar tentando influenciar o discurso da mídia na Rússia.

A questão é, o quanto irão influenciar? Há meses, Putin vem tentando entender como lidar com um movimento de protestos que vem crescendo cada vez mais.

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Ultimamente, a Ekho Moskvy se tornou um recurso importante para o crescente movimento de protestos. Além disso, seu site se tornou uma plataforma para a oposição possa refletir sobre seus conceitos em redes sociais.

Na terça-feira, a Ekho Moskvy publicou uma notícia falsa mostrando Putin enjaulado em um tribunal russo enfrentando acusações de lavagem de dinheiro e peculato.

O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, negou que as alterações feitas na diretoria da estação estivessem vinculadas a tal manifestação. "Não é nenhum segredo que Putin foi e continua sendo objeto de crítica em algumas estações de rádio", disse Peskov, da agência de notícias Interfax. "Mas é errado vincular os processos internos da Ekho Moskvy com as críticas feitas à Putin ou de fantasiar à respeito da possibilidade da estação poder perder sua voz ativa."

A empresa de Media Holding da Gasprom, a Gazprom Media, também negou que a decisão tenha sido influenciada por política, afirmando em um comunicado publicado pela agência de notícias RIA Novosti que a remodelação estava agendada para acontecer nesse verão.

Mas o comunicado acrescentou que a Gazprom Media adiantou a data da remodelação por causa da "atenção que a estação de rádio estava recebendo recentemente por vários outros indivíduos." O comunicado não chegou a explicar exatamente quem eram estes indivíduos.

Por Michael Schwirtz

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