Radicalismo islâmico ameaça mudanças democráticas do Marrocos

CASABLANCA, Marrocos - O Marrocos há muito é visto como um raro Estado islâmico, liberal e moderno, aberto ao Ocidente e uma possível ponte para um Oriente Médio mais tranquilo, que pode viver em paz com Israel.

The New York Times |

Mas sob pressão do radicalismo islâmico, o Rei Mohammed desacelerou a velocidade das mudanças. O poder permanece concentrado na monarquia; a democracia parece mais demonstrativo do que real.

Ainda que insistindo que o rei está comprometido com reformas mais profundas, oficiais sênior falam em manter um equilíbrio entre liberdade e coesão social. Muitos discutem a ameaça do extremismo da vizinha Argélia.

Desde um grande bombardeio em hotéis do centro da cidade e áreas de compra, realizado por radicais islâmicos em 2003, e uma tentativa de outra campanha de bombardeio em 2007, houve uma severa e contínua repressão dos suspeitos extremistas locais.

Em 2003, qualquer um com barba longa provavelmente seria detido. Até mesmo agora, quase 1.000 prisioneiros considerados radicais islâmicos permanecem em prisões marroquinas.

Seis políticos islâmicos foram recentemente presos, acusados de cumplicidade em uma trama terrorista. O caso está cheio de irregularidades e foi baseado principalmente em evidências circunstanciais, de acordo com o advogado de defesa, Abelaziz Nouaydi, e o grupo de direitos humanos Human Rights Watch.

Em uma entrevista rara, Yassine Mansouri, chefe da inteligência do Marrocos, afirmou que os políticos presos "usaram suas atividades políticas como cobertura para atividades terroristas". "Nosso objetivo não era parar um partido político", ele disse. "Há uma lei a ser seguida". 

O Marrocos está ameaçado, disse Mansouri, por dois extremos: o Wahhabism conservador disseminado pela Arábia Saudita e o Xiismo disseminado pelo Irã.

"Nós os consideramos ambos agressivos", disse Mansouri. "O Islã radical tem o vento a favor de sua vela e permanece uma ameaça".

Mohammed, que celebrou seu 10º ano no trono este ano, se vê como um modernizador e reformador, depois de ter investido pesadamente em desenvolvimento econômico, aliviado as restrições à mídia, determinado mais direitos para as mulheres e revelado alguns dos piores abusos ao ser humano do passado.

Mas a severa repressão danificou o histórico recente do Marrocos em relação aos direitos humanos. Prisioneiros muçulmanos são tratados de maneira brutal nas prisões, muitas vezes sodomizados com garrafas, disse Abdel-Rahim Moutard, ex-detento que teve ambas as mãos quebradas durante interrogatórios. Ele coordena a Ennasir, uma organização para prisioneiros. Mas quando eles saem da prisão, recebem pouca ajuda, até mesmo das mesquitas ou da Ennasir.

"Muitos deles ficam chocados que seu país os trate desta maneira", disse Moutard. "Depois de receber o tratamento da garrafa, toda vez que for ao banheiro ele se lembrará daquilo e pensará em vingança".

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