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Transformers puxa fila dos novos brinquedos da indústria cinematográfica

Quando Michael Bay, diretor de filmes de ação que reina no quesito carnificina, acha que sua ideia de uma superprodução explosiva, cheia de efeitos especiais, é pouco convincente, você está com problemas. Alguns anos atrás, o diretor dos filmes ¿Armageddon¿, ¿A Rocha¿ e ¿Bad Boys¿, estava em sua sala de edição quando Steven Spielberg ligou para lhe propor um novo projeto: um filme de ação sobre robôs gigantes que se transformavam em carros, caminhões e aviões. Bay relembrou o fato em uma recente entrevista: ¿Respondi: ¿Ok, ótimo¿, e desliguei o telefone. Mas, pensei: ¿Isso parece uma idéia idiota¿¿.

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Shia LaBouf e um dos gigantescos robôs de "Transformers: A Vingança dos Derrotados"

O que ajudou a convencer o diretor a dirigir o primeiro filme Transformers ¿ que em 2007 rendeu mais de US$ 700 milhões de bilheteria ao redor do mundo, e cuja sequência, Transformers: A Vingança dos Derrotados, tem estreia mundial amanhã e hoje na América Latina ¿ foi uma visita à matriz da empresa Hasbro, na cidade americana de Pawtucket, onde os brinquedos Transformers são criados.

Aos 44 anos, Bay recebeu ali uma aula aprofundada sobre o enredo envolvido na linha de brinquedos de 25 anos: uma história que gira em torno de facções guerreiras dos corajosos Autobots e dos abomináveis Decepticons, que trazem para a Terra a batalha de Cybertron, seu planeta de origem. Bay estava convencido. Não acho que isso seja um brinquedo, de forma alguma. Para mim, não está nem perto de ser um brinquedo. Trata-se de mitologia, e tem uma história por trás de tudo.

Neste verão do hemisfério norte, este não será o único produto lucrativo da Harbro a ser transformado em superprodução cinematográfica: a sequência de Transformers será seguida, no dia 7 de agosto, pela adaptação para o cinema dos brinquedos da linha G.I. Joe (Comandos em Ação, no Brasil), chamado G.I.Joe: A Origem de Cobra.

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Um dos brinquedos que inspirou os
personagens criados para o filme

Os dois filmes são fruto da estratégia que tem sido cultivada pela empresa de brinquedos por cerca de 10 anos: criar roteiros para sua linha de brinquedos mostrando a Hollywood que essas histórias podem ser traduzidas para as telas de cinema. É uma abordagem que muitos outros fabricantes de produtos semelhantes também estão adotando, negando qualquer relação com as produções da Marvel e da DC Comics.

Como os fãs e colecionadores bem sabem, os brinquedos da Hasbro têm histórias de mais de 10 anos. O G.I. Joe original, soldado de 30 centímetros de altura, conhecido como "guerreiro americano móvel", foi lançado pela Hasbro em 1964. Depois da guerra do Vietnã, a ligação de Joe com o exército americano perdeu a força e, em 1982, o soldado foi remodelado, transformando-se em um integrante de missões especiais formadas por numerosos agentes de bolso. A equipe de Joe também ganhou um inimigo, Cobra, uma cruel organização terrorista (na época em que esse tipo de influência ainda parecia ser adequado à fértil imaginação do público jovem).

Dois anos mais tarde, a Hasbro importou uma série de bonecos de ação criada pela empresa japonesa Takara, que consistia em robôs disfarçados de veículos e outras tecnologias, chamados Transformers.
Os brinquedos das linhas G.I. Joe e Transformers, e suas versões adaptadas às histórias em quadrinhos e aos desenhos animados, dominaram o mercado nos anos 1980. Mas nos anos 1990 essa popularidade diminuiu, uma vez que as crianças começaram a prestar atenção em fenômenos mais recentes como Pokemon e Power Rangers.

As preferências infantis estão ligadas ao que está na moda, comentou Gareb Shamus, editor da revista ToyFare. Ele complementou: Algumas peças precisam sair de circulação por um tempo. Mas, quando a geração certa volta a procurá-las, esses artigos podem retornar e pedir a revanche.

Brinquedos com história

A revitalização das franquias Transformers e G.I. Joe começou nesta década, na gestão do executivo chefe da Hasbro, Brian Goldner, veterano da agência de propaganda J. Walter Thompson e da Bandai America (fabricante dos brinquedos Power Rangers).

Quando Goldner, 45, se uniu à Hasbro em 2000, a empresa estava muito concentrada nos imitadores de Pokemons e de brinquedos relacionados a filmes. Os Transformers tinham se tornado robôs que se transformavam em feras selvagens, e os novos bonecos do G.I. Joe tinham sido colocados de lado em prol das réplicas da safra de bonecos produzidos na década de 60. Tínhamos limitado essas marcas ao chão do quarto de jogos ou à mesa da cozinha, comentou Goldner. A história por trás deles ia muito além disso.

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Byung-hun Lee e Sienna Miller no filme "G.I. Joe" e o brinquedo original da Hasbro

Na gestão de Goldner, os brinquedos e as animações dos Transformers voltaram em 2002 às histórias e personagens originalmente apresentados nos anos 1980. Depois de comprovar o sucesso destes artigos, a Hasbro lançou versões atualizadas dos soldados G.I. Joe. Segundo Goldner, o objetivo não era somente vender brinquedos, mas também mostrar à indústria cinematográfica que não havia nenhuma diferença entre estes personagens e o Homem-Aranha ou o Batman.

G.I. Joe e os Transformers estão no mesmo nível das demais produções cinematográficas. Eles nasceram das revistas em quadrinhos e das animações. A geração que brincou com esses produtos era o público alvo do filme, constatou Goldner.

Em 2003, Goldner ficou sabendo que o produtor Lorenzo di Bonaventura estava desenvolvendo um filme de ação chamado O último soldado, e achou que o personagem G.I. Joe poderia se adaptar a este projeto. Por sua vez, Bonaventura, ex-executivo da Warner Brothers que tinha trabalhado com a Hasbro no lançamento de brinquedos ligados às franquias de Batman, do Harry Potter e Scooby-Doo, enxergou a possibilidade de sucesso na produção de um filme sobre G.I. Joe e sua lista de soldados especializados com codinome como Duke, Ripcord e Heavy Duty. A série nunca matou nenhum personagem e, por isso, havia muita história entre eles, contou Bonaventura.

Mudanças, sim, mas fiéis ao espírito original

Montar a equipe criativa de Transformers exigiu mais persuasão. Assim como Bay, os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman (Star trek) relutaram em se envolver no projeto. Eles, contudo, também mudaram de opinião ao assistirem à mesma apresentação que cativou Bay no verão de 2005. No roteiro de Transformers escrito por eles, Orci e Kurtzman ajustaram alguns detalhes acerca dos robôs e da guerra que os trouxe à Terra. Mas tentaram se manter fiéis ao espírito de personagens como Optimus Prime, um heróico Transformer que se transforma em um caminhão.

Optimus era uma espécie de cavalheiro da Távola Redonda, o nobre líder desta força de resistência que estava lutando contra inimigos mais fortes, descreveu Orci. Isso nos levou a muitos personagens-chave que eram os mais conhecidos e amados pelos fãs do filme.

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Sucesso do primeiro filme garantiu ao menos duas sequências de "Transformers"

O sucesso mundial do primeiro filme Transformers (apesar de algumas críticas negativas) garantiu que tanto as duas sequências do mesmo, assim como do filme de G.I. Joe pudessem seguir adiante (a terceira sequência de Transformers terá estreia em 2011).

Enquanto isso, a Hasbro continua a expandir sua presença em Hollywood. No ano passado, a empresa anunciou um acordo com a Universal, com o qual pelo menos mais quatro de suas marcas mais conhecidas, incluindo jogos de tabuleiro como Monopoly, Battleship e Candyland, seriam transformadas em filmes por pesos pesados do segmento, como Ridley Scott e Gore Verbinski. Ainda sob o mesmo acordo, a Platinum Dunes, empresa de propriedade de Bay, está desenvolvendo um filme baseado no game Ouija, também da Hasbro, e Brian Grazer está produzindo um filme sobre Stretch Armstrong, o super-herói elástico da empresa.

A versão cinematográfica de muitas outras linhas de brinquedos está sendo preparada, incluindo Masters of the Universe ¿ os guerreiros fantásticos cujo novo filme ainda continua em fase de desenvolvimento na Warner Brothers ¿ e um monstro da Mattel ainda inédito, que está sendo preparado para seu próprio musical pela Universal.

Segundo Goldner, o desafio enfrentado pela Hasbro é crescer no mercado cinematográfico sem abrir mão dos elementos principais de seus brinquedos mais populares. Ouvimos atentamente as opiniões dos fãs, disse Goldner. Talvez não sejamos capazes de fazer tudo que cada um deles pede, pois são tantas as opiniões. Poderíamos perder o foco tentando agradar a todos.

Para os profissionais de Hollywood que vem ajudando a conduzir os brinquedos da Hasbro para a telona, a experiência está oferecendo uma imersão nos sentimentos passionais, movidos pelas figuras de plástico. Para mim, o mais interessante é saber que tantas pessoas vão declarar suas preferências, entre os Transformers e o G.I. Joe, afirmou di Bonaventura.

Tendo sua própria educação como base, di Bonaventura afirmou que não conseguia entender porque os colecionadores se forçavam a fazer uma escolha entre os dois brinquedos. Na verdade, sou uma das poucas pessoas na Nova Inglaterra que sempre torceu para o Lakers e para o Celtics, disse. Mantive-me fiel aos dois times, e aqui estou eu para contar a história.

Assista ao trailer em HD de "Transformers: A Vingança dos Derrotados"

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