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Paco : droga barata destrói vidas na Argentina

BUENOS AIRES, Argentina - A volta ao lar não foi como Pablo Eche havia sonhado.

The New York Times |

Depois de 15 meses em uma clínica de reabilitação lutando contra seu vício em "paco", uma droga semelhante ao crack e altamente viciante que acaba com milhares de vidas na Argentina, Eche voltou a Ciudad Oculta, um bairro pobre nos arredores da capital argentina.


Argentino Pablo Eche voltou a se viciar em paco / NYT

Familiares, incluindo sua mãe, Bilma Acuna, agente anti-paco da comunidade, o receberam em outubro do ano passado.

Mas seu amor não parecia o bastante. Em algumas semanas, tomado pela depressão por seu fracasso em encontrar um emprego para sustentar seu filho e sua filha, ele voltou novamente à droga em busca de consolo.

Descalço e sem camisa, as costelas saltando de seu corpo magro, ele anda vestindo shorts vermelhos de futebol pelo restaurante de chão de concreto de sua família.

"É isto que me faz companhia agora", Eche disse sobre a droga, com os olhos agitados observando o lugar. Paco "não exige nada de mim". "Também não me promete nada, nada mesmo".

Há mais de cinco anos, Eche é um escravo do paco, uma droga fumada feita com pequenos resíduos de cocaína misturados a solventes industriais e querosene ou veneno de rato. Rotulada como "o açoite dos pobres" por políticos, a droga se tornou o maior desafio social de favelas como Oculta.

No final de 2007, quando este repórter visitou Eche pela primeira vez na clínica de reabilitação, ele falou com olhos limpos a respeito dos perigos do paco. Ele graciosamente contou seus sonhos de conseguir dominar o vício, arrumar um emprego e comprar outra casa, depois que destruiu a última e vendeu a terra para sustentar seu vício.

Mas de volta a Oculta, Eche, 27, está vivendo mais uma vez como um vampiro, evitando a luz do dia enquanto se aventura à noite em busca das sensações rápidas mas intensas do paco. Seu perigoso estilo de vida o colocou em conflito com a polícia e ele só escapou da prisão se internando em um hospital psiquiátrico no final de maio.

A mãe de Eche ajudou a formar o grupo Mães Contra o Paco, que tenta salvar os jovens de se tornarem presas da droga. Seus olhos se enchem de tristeza quando ela fala sobre seu filho.

"Ele tem muito ódio", disse Acuna, 48. "Toda vez que ele sai do tratamento é pior porque ele não tem nada, nenhum trabalho. Não há nada para ele fazer."

A maioria de usuários de paco volta a consumir a droga depois de passar um ano ou dois em tratamento, ela disse. "Eles voltam sem nada, ao mesmo lugar que os deixou doentes".

Quando Eche voltou a Oculta, sua mãe e seu padrasto o ajudaram a conseguir emprego em um centro social para crianças problemáticas. Mas o salário era de menos que US$ 30 por semana, metade da quantia que ele esperava conseguir. O pensamento de tentar sustentar sua família com soma tão modesta colocou o frágil Eche de volta no fundo do abismo e em busca de paco, conta sua mãe.

Ciudad Oculta surgiu nos anos 1950, como parte de uma onda de imigração da zona rural para uma Buenos Aires recentemente industrializada. A crise econômica de 2001 da Argentina prejudicou a já difícil perspectiva dos moradores de Oculta, disse Jorge Tasin, que publicou um livro sobre a favela em 2007.

O paco começou a chegar ao local em 2003 como uma alternativa mais barata à cocaína. Uma vez que a Argentina se tornou o destino do processamento final da droga, que vem da Bolívia e Peru, também aumentou o fornecimento de resíduos da cocaína que fizeram do paco uma droga rápida e barata. Ele é vendido nas ruas por menos de US$ 1,30 a dose.

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