Quiosque de cachorro quente em frente ao Guggenheim cria impasse

Símbolo em Nova York, museu Guggenheim quis quiosque permanente no lugar de diversos vendedores, mas teve autorização negada

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Dizem que Frank Lloyd Wright comia um cachorro quente de vez em quando, às vezes, servido com queijo e pickles em piqueniques perto do penhasco de arenito próximo a sua famosa casa em Wisconsin, conhecida como Taliesin.

Mas o museu Guggenheim acredita que a quantidade de vendedores de cachorro quente diante do prédio projetado por Wright saiu de controle e se tornou algo visualmente perturbador - além de ser uma perda de receita para a instituição.

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Museu Guggenheim acredita que a quantidade de vendedores de cachorro quente diante de seu prédio tornou-se algo pertubardor
Por isso, a instituição pediu à Comissão de Preservação da Cidade de Nova York autorização para construir um quiosque de comida permanente na sua entrada na esquina da 5ª Avenida com a Rua 89. Seus arquitetos vislumbraram uma alternativa elegante para todos os guarda-sóis azuis e amarelos, algo que poderia, eventualmente, impulsionar algumas pessoas a procurar alternativas para alimentação no próprio museu. Mas esta semana a aprovação foi negada por unanimidade.

"Ele distrairia a atenção e concorreria com o edifício principal", disse Robert B. Tierney, presidente da comissão, sobre a proposta do quiosque. "Todos os nossos testes de adequação padrão não seriam cumpridos ali".

Preservacionistas e defensores do bairro ficaram contra o quiosque qualificando a proposta como uma afronta histórica e uma monstruosidade. Colocar o quiosque tão perto do museu iria "violar a integridade de um edifício de renome mundial", disse o Docomomo, grupo que trabalha para proteger edifícios modernos, em seu depoimento perante a comissão.

"Ele apenas obstruiria a visão mais emblemática da estrutura", acrescentou a organização, "além disso alteraria negativamente a experiência de se entrar no prédio", principalmente a “celebrada sequência do espaço exterior para o interior através de uma área de entrada reduzida até a chegada em uma ampla rotunda".

Forma

Com uma estrutura em forma de lágrima com uma parede dupla de resina fundida e aço inoxidável, o quiosque seria posicionado abaixo da saliência do museu na 5ª Avenida. Agora o museu vai voltar à prancheta de desenho para tentar criar algo temporário e móvel.

"Obviamente, estamos decepcionados", disse Marc Steglitz, diretor adjunto do museu. "Nós levamos uma boa quantidade de tempo e energia para tentar projetar algo que não iria competir com o edifício, mas sim elogiar o prédio”.

Na sua petição, o museu tinha argumentado que os carrinhos de comida eram feios e distraem a atenção, “criando um ambiente inadequado e carnavalesco”.

O grupo de proteção Friends of the Upper East Side Historic (Amigos do Upper East Side Histórico, em tradução livre) questionou em seu testemunho: "O Museu Guggenheim tem verdadeiramente a intenção de eliminar os vendedores ambulantes licenciados da cidade com seu quiosque?” acrescentando que "a proposta de substituição é mais preocupante do que os carrinhos já existentes”.

Embora o projeto do museu tenha apresentado o quiosque como algo para impedir a presença dos carrinhos de sanduíche, Steglitz disse que o interesse principal do museu não era expulsar os vendedores, mas também oferecer uma alternativa ao Wright, seu restaurante, e ao Café 3, uma lanchonete estilo europeu localizada diante de sua galeria Kandinsky.

*Por Robin Pogrebin

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