Questões sobre moeda começam a pesar para o leste europeu

BERLIN ¿ Uma nova linha de divisão está se formando através da Europa central com as repercussões da economia que já são muito dolorosas e pode potencialmente ser desastroso. Mais do que se basear na ideologia, dessa vez a divisão é fundamentada em países que usam o euro e aqueles que não o usam.

The New York Times |

Apenas dois de 10 dos novos membros do leste europeu na União Europeia, Eslováquia e Eslovênia, são membros da zona do euro que possui 16 países. E os outros oito países estão desesperados por ajuda com suas economias e empresas sendo arruinadas pelas flutuações e declínios.

O Banco Central europeu, que fiscalizam o euro, coloca dinheiro no sistema ao conceder empréstimos de segurança, e desde o começo da atual crise econômica, essa prática se expandiu vastamente.

Enquanto os membros da zona do euro têm prioridade, tal forma de empréstimo também se tornou mais ampla. Os bancos britânicos se beneficiaram por meio de suas zonas subsidiárias de euro, e o banco central tem fornecido empréstimos ao banco central da Polônia e da Hungria.

O que o banco central ainda não fez pelos novos membros adotarem o euro foi fornecer trocas de moeda temporárias ¿ da mesma forma que o Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve ¿ Fed) fez com o Brasil, México, Cingapura e Coreia do Sul, em outubro passado, para permitir que tais países convertessem suas moedas para o dólar, mais facilmente.

E o banco central não aceita como garantia as ligações com o zlotys (moeda da Polônia), forinto (moeda húngara) ou outras moedas locais do leste europeu.

Isso desmotivou as instituições da área financeira do euro em manter ligações com governos que não usam o euro, contribuindo para liquidar com tudo, disse Zsolt Darvas, membro visitante em Breugel, grupo de pesquisa de economias independentes em Bruxelas, na Bélgica.

A crise financeira mundial demorou a atingir essa parte da Europa porque seus bancos tinham poucos problemas de propriedade. Mas quando o colapso da Lehman Brothers, em setembro, levantou novas ondas de choque para o sistema bancário global, o leste europeu e outros mercados emergentes não foram poupados.
A Hungria e a Letônia estavam particularmente vulneráveis; a primeira por causa de sua profunda exposição aos empréstimos externos e a segunda por causa de seu sistema bancário instável e consumidores prolongados. Quando o financiamento da moeda estrangeira acabou, os mercados domésticos interbancários de dinheiro foram atingidos e as moedas ficaram sob pressão. Ambos os países foram recuperados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia, juntamente com um preço alto na forma de cortes de gastos no governo.

Fatores políticos e psicológicos também tornam mais difícil para fundos antes interessantes, fora da zona do euro, disse Vasily Astroy, economista do Instituto de Viena, em Estudos de Economia Internacional.

Os investidores se tornaram um inimigo perigoso, ao menos no que diz respeito ao mercado financeiro, disse. Eles estão optando por países que possuem moedas mais importantes.

O ritmo extraordinário com que as moedas declinaram apenas agravou tais problemas. Na Polônia, o zloty desvalorizou em 50% em relação ao euro.

Na teoria, isso deveria ajudar os exportadores. Mas Aleksander Drzewiecki, chefe da House of Skills, empresa de consultoria, disse que muitas companhias dirigidas por exportações dependem em primeiro lugar de importações. A turbulência devido às taxas de câmbio é horrível, disse. Não temos ideia do que estamos enfrentando.

A Polônia, com quase 40 milhões de pessoas, é a maior dos novos Estados membros. O país perdeu a oportunidade logo após se unir a UE em se preparar rapidamente para adotar o euro. O governo nacionalista-conservador, então liderado por Lech Kaczynski, estava intensamente cético com o euro e resistiu em abandonar o zloty.

O novo governo centro-direita, liderado por Donald Tusk, que ocupou o cargo no fim de 2007, é mais amigável em relação ao euro, disse Astroy. Mas a data alvo de sua entrada, 2012, está sendo questionada pelo tumulto econômico.

Em outro lugar do leste europeu, a República Tcheca está mantendo suas opções sobre se unir à zona aberta do euro, mesmo que isso necessitasse do suporte do presidente Vaclav Klaus, um cético quanto ao euro.

Os Estados bálticos gostariam de se unir à moeda o mais rápido possível, mas suas economias estão contraindo tanto que seria impossível encontrar um critério, no qual, entre outras coisas, estipulasse que os déficits orçamentários deveriam estar abaixo de 3% do produto interno bruto (PIB).

Sem sua subsidiária, a Alemanha, a situação poderia ser muito pior para a Ergis-Eurofilms, maior fabricante de filmes plásticos e lâminas da Polônia, que no ano passado teve uma receita de 150 milhões de euros e um lucro de cerca de 10 milhões.

Em contraste, a Fiam, empresa de uma família na Eslováquia, especializada em reciclar materiais plásticos, tem uma subsidiária fora da zona do euro, na Hungria, Polônia e República Tcheca. Como resultado, a Fiam tem sido protegida das flutuações da moeda em seu mercado doméstico, que adotou o euro, mas enfrenta confusões quando vende para o leste.

Deixar de lado o fato de que muitas economias estão em recessão, há previsões dentro da zona do euro porque não há a flutuação de moedas, disse Ivan Saro, chefe de uma empresa financeira, fundada por seu pai em 1988.

Andreas Tostmann, chefe do quadro da Skoda, subsidiária da Volkswagen, na Eslováquia, disse que a eliminação das taxas de câmbio significaria uma estabilidade maior no planejamento e não menos do que a simplificação de transações dentro do Grupo VW.

Mas a VW, similar à Fiam, tem mercados fora da zona do euro, onde seus produtos se tornam muito mais caros. É um pesadelo, disse Saro.

As flutuações motivaram a companhia a tentar vender mais para a área da zona do euro. Mas Saro ainda está enfrentando problemas com a diminuição dos créditos. Os bancos, disse ele, estão mais rígidos em conceder empréstimos e os consumidores estão pagando atrasado.

Somos pagos, mas não sabemos quando, disse. O fato é que adotar o euro é uma forma de garantia. Mas não me peça para olhar além do curto prazo. Esses tempos estão muito loucos.

Por JUDY DEMPSEY

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