Quênia prende autor dos EUA que é crítico de Obama

NAIROBI, QUÊNIA ¿ O americano autor do livro best-seller que critica o senador Barack Obama foi detido por agentes da imigração quenianos, na terça-feira, quando se preparava para uma conferência com a imprensa em Nairóbi.

The New York Times |

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Jerome R. Corsi, um conservador irritante que escreveu The Obama Nation (A Nação de Obama), no qual ele ataca o democrata candidato à presidência, foi detido na terça por tentar trabalhar no Quênia sem permissão válida, de acordo com os relatos da mídia local. A reportagem disse que Corsi provavelmente seria deportado.

Elias Njeru, porta-voz do Departamento de Imigração do Quênia, disse que seus documentos de imigração não estavam em ordem.

Quando questionado se Corsi seria deportado, Njeru disse que não sabia e que Corsi ainda estava sendo investigado.

Eu não sei se ele veio para cá para trabalhar, mas seus documentos indicavam que ele era um turista. Se ele ia trabalhar, precisava de documentos diferentes, ele disse. Quando chegou, ele disse que era um turista em férias. Se começasse a trabalhar, seria um problema.

Eric Kiraithe, porta-voz da polícia do Quênia, disse que ouviu os relatórios da prisão de Corsi e estava tentando fazer o departamento de imigração liberar mais informação.

Eu acabei de mandar um oficial para o departamento de imigração e devo saber de mais coisas em breve, ele disse.

Muitos quenianos são muito sensíveis quanto a Obama, candidato democrata à eleição presidencial dos EUA no mês que vem. O pai dele era queniano e muitas pessoas aqui estão torcendo muito por ele. Fotos de Obama têm sido coladas na parte de trás dos mini-ônibus e histórias sobre a eleição estão na primeira página dos jornais quase todos os dias.

No entanto, a afeição por Obama não é universal, especialmente em relação à divisão do governo queniano. Diversos oficiais do governo, incluindo alguns alinhados com o presidente Mwai Kibaki, mantém distância de Obama, dizendo que ele é um americano, não um queniano e se perguntando qual é a grande coisa de sua candidatura.

Uma explicação é a crítica de que Obama é corrupto, feita por alguns líderes do Quênia.

A outra é a tensão étnica que divide o Quênia e que enterrou o país no caos no começo desse ano.

O pai de Obama, que morreu há mais de vinte anos, era membro do grupo étnico Luo, ao qual também pertence o primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga. Kibaki é membro de outro grande grupo étnico, o Kikuyu. Odinga quase derrotou Kibaki em uma eleição em dezembro passado, que foi corrompida ao serem espalhadas alegações de votos falsificados pelo partido de Kibaki.

A violência irrompeu e brigas entre Kikuyus e Luos, entre outros grupos, matou mais de mil pessoas, levando o Quênia ao pior conflito desde sua independência em 1963.

Os ataques de Corsi à Obama são similares àqueles em Unfit for Command (Inadequado para comandar), livro no qual ele teve co-autoria, em 2004, que colaborou com o descarrilamento da concorrência presidencial do senador John Kerry, ao questionar seu registro de oficial na Guerra do Vietnã.

Entre as alegações feitas em The Obama Nation, há uma de que Obama é um radical liberal que tentou acobertar conexões extensas com o Islã ¿ Obama é cristão - e que Obama tem mantido laços secretos com certos políticos quenianos. A campanha de Obama e outras pessoas têm contestado muitas alegações que estão no livro.

Corsi estava se preparando na terça de manhã para uma conferência com a imprensa a respeito do livro sobre Obama, em um grande hotel no centro de Nairóbi. Dúzias de cadeiras roxas e um microfone foram montados. O lugar foi logo abandonado...

Por JEFFREY GETTLEMAN

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