Quando os espíritos falam, tailandeses escutam com atenção

Empresários importantes e ministros muitas vezes recorrem a consultas com cartomantes, numerologia e xamãs

The New York Times |

Não se deixe enganar pelos arranha-céus, as ruas lotadas de carros de luxo ou as últimas engenhocas de alta tecnologia nos bolsos e bolsas. A Tailândia, um país de 65 milhões de habitantes, adotou a modernidade, sim, mas muitos tailandeses dizem que fantasmas e espíritos ainda vagam pelas ruas e habitam edifícios do país.

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A chamada 'casa de espíritos', acredita-se, protege contra fantasmas
Importantes decisões de negócios, muitas vezes requerem consultas com uma cartomante. Ministros e oficiais militares são às vezes tão preocupados com a numerologia e os conselhos dos seus xamãs que a política na Tailândia pode ser chamada de magia negra do possível.

"Nós ainda temos nossos fantasmas, ainda temos a magia negra", disse Todsaporn Jamsuwan, o cofundador da Santa Plus, empresa que fabrica "casas de espíritoS", as onipresentes estruturas em miniatura, que se assemelham a casas de bonecas e servem como moradia para os fantasmas.

Aqueles que podem ter previsto há algumas décadas que o crescimento da ciência e da tecnologia acabaria por apagar a preocupação de longa data da Tailândia com o sobrenatural devem visitar uma das milhares de lojas de conveniência 7-Eleven do país. Amuletos destinados a proteger e trazer boa sorte são vendidos ao lado de balas de hortelã. Livros de horóscopo estão misturados com lanches.

Há canais no YouTube dedicados à cartomancia e lojas online que vendem amuletos e programas de computador como o Mestre de Feng Shui.

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Luck Rakanithes, cartomante que começou fazendo horóscopos na esquina de um hotel de Bangcoc agora dirige um call center com adivinhos
Luck Rakanithes, um cartomante que começou há duas décadas, fazendo horóscopos face a face na esquina de um hotel de Bangcoc agora dirige um call center com uma sala cheia de adivinhos sentados em cubículos. Eles servem conselhos celestiais por 15 bahts (US$ 0,50), o minuto.

Todos os anos, os tailandeses gastam coletivamente cerca de 1,9 bilhões de bahts (US$ 63 milhões), em visitas aos adivinhos tradicionais, de acordo com o Centro de Pesquisa Kasikorn, em Bangcoc. "As pessoas ainda fazem filas para visitar cartomantes famosos", disse Pichit Virankabutra, o curador de uma exposição sobre fantasmas que desde agosto já atraiu 120 mil visitantes no Centro de Design e Criação da Tailândia, em Bangcoc. "Eles acham que haverá algo sobre humano".

Jornais na Tailândia frequentemente veiculam boatos e histórias sobre políticos que realizam cerimônias secretas para remover a má sorte.

Em um livro publicado há dois anos, um famoso adivinho tailandês relatou a sua consulta com um dos poderosos generais do país, Sonthi Boonyaratglin. Eles se conheceram em janeiro de 2006, um momento de impasse político, e Warin Buawiratlert, o vidente, disse ao general: "Haverá um golpe".

"Quem vai fazer isso?" perguntou o general. O adivinho respondeu: "Você".

Nove meses depois, Sonthi cumpriu o seu destino e derrubou o governo.

*Por Thomas Fuller

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