Putin pede compreensão ocidental em discurso que combateu críticas a seu país

MOSCOU - Durante três horas e meia na quinta-feira, em tons que variaram de carente a agressivo, Vladimir V. Putin tentou se explicar.

The New York Times |

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Mais de um mês se passou desde que a Rússia enviou tropas armadas à Geórgia, impondo sua esfera de influência com uma confiança que não era vista desde os dias da União Soviética. Mas desde as primeiras horas da crise, os líderes russos cada vez mais frustrados fazem a mesma pergunta: Por que todos nos culpam por isso?

Putin, primeiro-ministro russo, fez sua defesa na quinta-feira em Sochi diante do Clube de Debates Valdai, um grupo de especialistas de todo o mundo sobre assuntos relacionados a seu país. Comentários feitos sobre o ocidente foram, às vezes, penitentes (ele disse gostar mais do presidente Bush do que os próprios americanos) e até mesmo respeitosos, como quando pediu um momento de silêncio em homenagem às vítimas do 11 de setembro.

Quanto às críticas a seu governo, Putin mostrou apenas surpresa que o Ocidente não tenha aceitado as explicações da Rússia de que agiu em defesa de seus cidadãos. Como esperavam que o país respondesse ao bombardeio de suas tropas de paz em Tskhinvali, capital da Ossétia do Sul, ele questionou - com "estilingues?" Eles esperavam que ele "ostentasse um canivete?"

Seu discurso foi sério. Esta semana, as relações diplomáticas entre a Rússia e a Europa foram gravemente fragilizadas durante as negociações para a retirada de tropas da Geórgia . A decisão do presidente Dmitri A. Medvedev em reconhecer os enclaves da Ossétia do Sul e Abkházia fez com que até mesmo aliados de longa data do país, como a China e a Sérvia, temessem ficar do lado da Rússia.

Mas ainda que a Rússia se porte de maneira inflexível na mesa de negociação, o que seus líderes parecem querer mais do que tudo é compreensão.

Putin deu enormes garantias na quinta-feira: ele disse que a Rússia "não tem nenhum conflito ideológico" com o Ocidente e "nenhuma ambição imperial" na Europa Oriental. Ele afirmou que apoia a eliminação de estoques de armas nucleares e que espera que os georgianos derrubem seu presidente, Mikheil Saakashvili, sem ajuda russa. A Rússia, ele disse, "não está contra ninguém".

Bem, contra quase ninguém. Putin falou sobre a mídia ocidental com perceptível desprezo.

"Eu estou surpreso com o poder da máquina de propaganda do chamado ocidente", ele disse. "É incrível! Surpreendente!"

Por ELLEN BARRY


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