Putin finge recuperar artefatos históricos em mergulho

Apesar dos jarros de cerâmica do século 6 serem reais, assessor diz que premiê russo não foi responsável por recuperá-los

The New York Times |

Se tratava apenas de um típico passeio de verão do primeiro-ministro Vladimir V. Putin: vestido com roupa à prova d’água e equipado com um tanque de oxigênio, ele mergulhou até o fundo de uma baía e recuperou dois jarros de cerâmica que datavam do século 6.

AFP
Primeiro-ministro da Rússia Vladimir Putin é fotografado com cavalo durante suas férias no sul da Sibéria (14/5/2010)

A cena, captada por uma equipe de filmagem e transmitida no noticiário noturno, mostrou Putin como um homem másculo de peito largo, exatamente o que ele precisava para aumentar o seu índice de aprovação até então apático.

Cenas de Putin cercado por elementos da natureza – tranquilizando uma tigresa ou alimentando seu cavalo - são comuns na vida política da Rússia.

Há muito tempo existem suspeitas de que suas façanhas não são espontâneas. Ainda assim, foi notável assistir ao secretário de imprensa de Putin, Dmitri S. Peskov, rodeado por um painel de jornalistas céticos, tentando explicar, o mais delicadamente possível, que o mergulho de Putin havia sido encenado.

"Olha", disse Peskov, bem humorado diante das câmeras na terça-feira. "Putin não encontrou jarros de cerâmica que estavam deitados no fundo do mar há milhares de anos. Isso é óbvio."

A entrevista concedida por Peskov ao Dozhd TV, um canal de notícias online, deixou algo muito claro: Putin está retornando para a presidência em um país que mudou muito desde 2008, quando esteve no cargo pela última vez.

Depois de muitos esforços para elevar sua popularidade , ele parece ter parado em um lento declínio no seu índice de aprovação – agora em 68%, o seu ponto mais baixo desde 2005, segundo o Centro Levada.

Os comentários de Peskov aconteceram após uma entrevista na televisão local com o presidente Dimitri Medvedev, que disse que concordou em renunciar a um segundo mandato porque Putin é mais popular . Os comentários sugerem que o Kremlin tem sérias preocupações com a frustração sentida pelas elites urbanas, embora ele tenha soado um pouco irritado ao catalogar as conquistas de Putin ao seu entrevistador.

"Houve um pânico bancário? Não houve", disse ele. "Havia inadimplência? Não havia. Será que vamos passar nossas indústrias estratégicas para a propriedade do capital estrangeiro? Não. E nós perdemos nossa soberania? Não.”

"Queremos muito explicar isso para aquele grupo de pessoas, para quem a coisa mais importante é sentar num restaurante caro, onde não há sequer uma mesa livre, comer comida italiana por 1,2 mil rublos o prato e dizer que se preocupam com o destino do seu país", disse ele.

Por Ellen Barry

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