Publicações europeias encontram maneiras criativas de ter sucesso

PARIS ¿ Com o aumento do número de perdas na indústria de jornais dos Estados Unidos neste mês, o editor alemão Axel Springer, que é dono do ¿Bild¿, maior jornal da Europa, anunciou o maior ganho anual em seus 62 anos de história.

The New York Times |

No escritório de Springer em Berlim, não houve conversas desesperadas sobre como sobreviver à recessão e à revolução digital. Ao invés disso, Mathias Doepfner, chefe executivo de Springer, disse que estava procurando por oportunidades para expandir, buscando por aquisições na Alemanha, no leste europeu e talvez ¿ o que seria a primeira vez na companhia ¿ nos Estados Unidos.

Eu não acredito no fim do jornalismo, Doepfner disse. Pelo contrário, eu acho que a crise pode ter um impacto positivo. O número de jogadores irá diminuir, mas os jogadores mais fortes estarão firmes após a crise.

Na maior parte do mundo, os jornais americanos são vistos como o padrão de ouro do jornalismo. Mas o modelo de negócio dos jornais americanos parece estar falido. Enquanto muitos europeus enfrentam os mesmos problemas, poucos publicadores de jornais encontraram formas inovadoras não apenas para sobreviver, mas para ter sucesso diante da recessão e da internet.

Poucos publicadores europeus fizeram o mesmo que Axel Springer no ano passado, mesmo com a notícia de que 2009 seria muito pior com a recessão chegando ao seu máximo. Em alguns países europeus, jornais estão em um estado pior do que os dos Estados Unidos. Na França, diversos jornais se mantém funcionando por meio de subsídios públicos. No mercado britânico ultracompetitivo, jornais nacionais se esforçam para ganhar dinheiro, e jornais locais estão desaparecendo em uma velocidade acelerada.

Mas há sinais de vida jornalística na Europa. A circulação está caindo mais lentamente do que nos Estados Unidos. A maioria das publicações foi menos afetada pela recessão do que seus pares americanos, porque eles dependem mais de leitores do que de anunciantes, que tendem a ser mais inconstantes.

Embora ninguém tenha encontrado uma arma mágica, alguns publicadores europeus encontraram formas de enfrentar os desafios.

Na Schibsted, um publicador de Oslo, atividades online ¿ incluindo jornais, sites de anúncios classificados e outras ocupações ¿ abrangem cerca de um quarto da receita da companhia e a vasta maioria dos lucros.
A famosa estrela online é VG Nett, um website afiliado, sem vínculos formais, com a Verdens Gang, um tablóide. A VG Nett tem uma margem de lucro de mais de 30% e é rival do Google, sendo o site mais popular na Noruega.

A VG Nett, como a maioria dos sites de notícias, gera a maioria de sua receita a partir de anúncios, mas está começando a levantar dinheiro por meio de usuários. Cerca de 150 mil pessoas pagam até 599 coroas, ou quase $ 90, por ano para participar do clube de perda de peso.  Recentemente, o a VG Nett começou a cobrar 780 coroas por ano pela transmissão ao vivo de jogos de futebol. E a rede social conectada ao site cobra para que os usuários atualizem seus perfis. Contudo, o acesso a notícias permanece gratuito.

Um negócio que perdeu mais de um quarto de suas vendas globais na última década não parecer ser o melhor exemplo a ser seguido. Mas ao lado das ruínas que sobraram pela pirataria digital, novos modelos de negócios estão surgindo na indústria da música ¿ com a Europa na vanguarda.

Poucos europeus querem pagar por música adquirida diretamente, em serviços como o iTunes, então, ao contrário disso, a indústria está empacotando os preços das músicas em assinaturas de freqüências musicais, como os canais básicos de televisão fazem nos Estados Unidos.

O Projeto Para a Excelência no Jornalismo, baseada em Washington, céticos em aplicar pequenos pagamentos em jornais, sugeriu o oferecimento de acesso a websites de jornais por uma taxa paga no nível do serviço de provedor da internet. Para tais modelos terem sucesso, os jornais terão que trabalhar juntos.

Um grupo de jornais na parte de idioma francês na Bélgica mostrou as possibilidades ¿ mas também as limitações ¿ da cooperação ao enfrentar o Google, o qual alguns veem como um inimigo comum.

Há dois anos, sob a bandeira da organização de comércio, a Copiepresse, os jornais ganharam na corte belga um pedido de que o Google retirasse seu conteúdo do Google News Service, que resume artigos de jornais e fornece link para seus websites. Os jornais belgas argumentaram que o Google News violava seus direitos autorais, mas o apelo ainda está pendente.

Quando o Google queria expandir o Google News para a Dinamarca, há pouco mais de dois anos, advogados de publicadores dinamarqueses escreveram para a companhia, dizendo-lhes que não poderiam realizar o plano sem permissão.

Isso não tem ajudado os jornais a ganhar dinheiro, mas Margaret Boribon, secretária-geral da Copiepresse, disse, a questão principal para nós é não ter gigantes acabando conosco.

Axel Springer gera 14% de sua receita online, mais do que a maioria dos jornais americanos, mesmo que o mercado no qual opera ¿ primariamente alemão e no leste europeu ¿ seja menos desenvolvido digitalmente do que os Estados Unidos.

Uma razão, disse Doepfner, é que Axel Springer ousou competir consigo mesmo. Ao invés de tentar proteger as publicações existentes, adquiriu ou criou novas, algumas das quais distribuem amplamente o mesmo conteúdo para diferentes audiências.

Em um escritório de uma redação em Berlim, por exemplo, jornalistas produzem conteúdo para seis publicações: o jornal nacional Die Welt, sua edição de domingo e a versão tablóide que tem como público-alvo leitores jovens; um jornal local chamado Berliner Morgenpost, e dois websites.

Embora os anúncios tenham tido queda na Alemanha, Axel Springer consegue compensar essa desvantagem ao aumentar o preço das publicações como Bild, que vende mais de três milhões de cópias. Agora, Axel Springer está buscando propriedades desvalorizadas para comprar.

Doepfner disse que a companhia iria observar até os Estados Unidos se uma posição importante aparecer em um mercado importante.


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