Psiquiatras enfrentam difícil tarefa de determinar o que é normal

O livro só será publicado daqui três anos, mas já causa debates acirrados sobre novas possíveis desordens psiquiátricas.

The New York Times |

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O consumismo compulsivo é um problema mental? Crianças que continuamente evitam olhares e sons têm problemas sensoriais ou simplesmente precisam de mais atenção? Fetiches devem ser considerados desordens mentais, como ainda são?

Um painel de psiquiatras está julgando essas questões e suas respostas, que serão publicadas na quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Desordens Mentais, terão consequências para o reembolso de assistências médicas, as pesquisas e a identidade psicológica de indivíduos por muitos anos.

O processo se tornou um exercício social e científico difícil e pela primeira vez a editora do livro, a Associação Americana de Psiquiatria, exigiu que seus contribuidores assinem acordos de confidencialidade.

O debate é particularmente intenso porque o manual é tanto um livro médico quanto uma instituição cultural. Ele ajuda os médicos a diagnosticarem e oferecem códigos às companhias de saúde sem os quais as assistências não reembolsam os pedidos de tratamento de seus pacientes.


Dr. Darrel A. Regier, um dos organizadores do Manual / NYT

O manual (conhecido por suas iniciais e número de edição DSM-V) geralmente organiza sintomas sob um nome evocativo. Mas seus rótulos, como obsessivo-compulsivo, têm conotações na cultura geral e para a percepção do indivíduo.

"Não se trata de cardiologia e nefrologia, onde as doenças básicas são conhecidas", disse Edward Shorter, um dos principais historiadores de psiquiatria cujo último livro, "Before Prozac" (Antes do Prozac, em tradução literal), crítica o manual. "Na psiquiatria ninguém sabe as causas de nada, então classificações podem ser geradas por todo tipo de fator" político, social e financeiro.

"O que temos no final", disse Shorter, "é este processo de designar uma gama de sintomas em determinadas síndromes e o resultado depende de com os qualificamos".

Psiquiatras envolvidos na preparação do novo manual afirmam que ainda é muito cedo para saber quais serão os novos sintomas e aqueles que serão abandonados.

A atual edição do manual, que foi publicada em 2000, descreve 283 desordens - quase o triplo da primeira edição, publicada em 1952.

Os cientistas responsáveis pela atualização do manual se encontram em grupos pequenos, concentrados em categorias como desordens de humor ou abuso de substâncias (analisando os últimos estudos científicos que determinam o que se qualifica como desordem e o que pode distinguir uma desordem da outra). Eles ainda têm muito trabalho pela frente, dizem os envolvidos, antes de oferecerem recomendações à força tarefa de 28 membros que irá se reunir confidencialmente para concluir as mudanças editoriais.

Especialistas afirmam que grande parte dos debates cruciais devem envolver a identidade sexual, diagnósticos de doenças envolvendo crianças e vícios como compras e alimentação.

"Muitas definições envolverão grandes disputas, eu espero", disse o Dr. Michael First, professor de psiquiatria da Universidade de Colúmbia que editou a quarta edição do manual mas não se envolveu na última.

Um exemplo, segundo ele, é a alimentação em excesso, que se encontra no apêndice da atual edição como uma possível categoria.

Por BENEDICT CAREY

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